Numa economia mais fraca o desemprego diminuiu

Num quadro internacional em que o desemprego se eleva, o Brasil constitui exceção, com um nível de desemprego que, em maio, caiu para 5,8% ante 6,4%, um ano atrás, e ainda apresentou ligeira queda em relação a abril.

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h06

É essa evolução que o economista Alexandre Schwartsman considera "intrigante", à luz dos resultados do PIB do primeiro trimestre e da produção industrial dos últimos meses, tendo em vista ainda que os setores de maior oferta de trabalho, como os serviços não vinculados ao setor público e à construção civil, apresentaram um recuo em maio.

Há que se notar que, em primeiro lugar, os dados relativos ao desemprego abrangem seis regiões metropolitanas e não incluem o Distrito Federal, que apresenta uma grande concentração de funcionários públicos. Seria, a propósito, relativamente fácil uma pesquisa do IBGE naquela região, que tem uma grande participação, especialmente nas pesquisas sobre rendimentos. Espera-se também que o Instituto inclua logo a zona rural, que também tem grande importância no nível de emprego.

Considerando que a população ativa aumentou 0,2%, em maio, em relação a abril, não se poderia, é claro, explicar a diminuição do desemprego com o recuo dela, até porque houve também um aumento de 1,2% da população ocupada.

Schwartsman suscita a hipótese de uma queda da produtividade na indústria, logo descartada por não ser verificável, preferindo colocar dúvidas sobre os dados dos serviços. Acreditamos que é justamente na área dos serviços que a queda de produtividade é a mais sensível, em razão do baixo nível educacional no Brasil que, longe de melhorar, está piorando nos anos recentes.

Nos dados divulgados pelo IBGE surgem duas surpresas: a indústria criou 21 mil postos de trabalho em maio, enquanto o levantamento da CNI havia anunciado queda do emprego - verdade que apenas para a indústria de transformação. A outra surpresa é o aumento de pessoal empregado no setor vinculado aos serviços públicos, que reflete, talvez, uma elevação do número de funcionários.

Convém assinalar que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados releva a criação líquida de 139.679 empregos em maio, lembrando que são considerados, nesse caso, só os trabalhadores com carteira assinada.

O que se pode concluir da análise do IBGE é que o País sofre ainda com a falta de mão de obra qualificada, o que se traduz por salários mais elevados para essa parcela da população.

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