Número de fusões e aquisições cai 24,8%

A onda de fusões e aquisições que transformou diversas indústrias no País nos últimos anos perdeu força em 2008. Refletindo diretamente a escassez de crédito dos últimos meses, o número de operações de fusão, aquisição, reestruturação societária e oferta de ações caiu 24,8% no ano passado ante 2007, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). O número passou de 125 para 94. O valor total das transações também teve queda de 14,8%, atingindo R$ 100,4 bilhões em 2008."A falta de financiamento afetou o mercado. Muitos negócios foram adiados ou cancelados", diz a coordenadora da Subcomissão de Fusões e Aquisições da Anbid, Carolina Lacerda. Ela estima que 20% das operações negociadas no ano passado não foram concluídas por causa da crise.Segundo ela, porém, o mercado brasileiro não foi tão afetado quanto o de outros países. Apesar da retração no volume de negócios por aqui, América Latina e China foram as únicas regiões onde as fusões e aquisições cresceram no ano passado, com expansão de 20% e 30%, respectivamente. Entre as maiores operações de 2008, está a fusão da BM&F e da Bovespa, um negócio de R$ 34,6 bilhões. A venda de participação da CSN na mineradora Namisa, por R$ 7,2 bilhões, é a segunda maior transação, seguida da fusão de petroquímicas que deu origem à Quattor, operação de R$ 6,8 bilhões. Outras operações importantes, como a união do Itaú e Unibanco e a compra da Brasil Telecom pela Oi, não entraram nos cálculos da Anbid porque ainda não foram finalizadas.As empresas nacionais tiveram maior participação nas operações. Elas responderam por 73,1% das transações em 2008. Em 2007, eram 25,6%. Para Carolina, o cenário pode mudar este ano, com o crescente interesse de fundos de private equity, principalmente estrangeiros, por grupos brasileiros.A Anbid prevê um número menor de transações este ano. Até porque, diferente dos anos anteriores, em que a oferta de crédito era abundante, a tendência é que agora as operações sejam financiadas com recursos próprios das empresas ou por meio de troca de ações. "Os empresários terão de ser criativos nesse novo cenário", diz Carolina.

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