Jeff Belmonte/Flickr
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Número de inadimplentes cai em agosto pelo 3º mês seguido

Cautela do consumidor em assumir novas dívidas está freando o calote de dívidas

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2016 | 19h10

A cautela do consumidor em assumir novas dívidas por causa da recessão está freando o calote. Isso é o que revelam dois indicadores de inadimplência apurados no mês passado por instituições diferentes, mas ambas especializadas em monitorar o comportamento do consumidor.

Pelo terceiro mês seguido, o número de inadimplentes no País recuou, apontam as projeções do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). No mês passado, 58,8 milhões de brasileiros estavam na lista de negativados. Em julho, eram 58,9 milhões de consumidores. Agosto foi o terceiro mês consecutivo que o número de inadimplentes  diminuiu em relação ao mês anterior.

Também de acordo com a pesquisa do SPC Brasil, a quantidade de dívidas em atraso no mês passado caiu 0,76% em comparação com agosto de 2015. Foi a primeira queda anual na série do indicador iniciada em 2010.

Pesquisa da Boa Vista SCPC revela que, em agosto, a inadimplência do consumidor recuou 4,2% em relação a julho. E o indicador acumulado em 12 meses de calote está desacelerando desde abril.

A queda da inadimplência em meio ao cenário de recessão pode parecer contraditória, mas na prática não é. Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, explica que o número de inadimplentes caiu porque, com a crise, as pessoas assumiram menos dívidas e têm menos contas para pagar. Logo, a chance de ficarem inadimplentes diminuiu.

"A queda no número de inadimplentes não é motivo para comemoração porque a redução do calote não está ocorrendo pela melhoria na capacidade de pagamento", observa economista. Ela lembra que o movimento ocorreu por causa da redução do endividamento do brasileiro.

Endividamento. O último dado disponível do Banco Central mostra que o endividamento das famílias acumulado em 12 meses até junho correspondia a 43,7% da renda. Esse é o menor nível do indicador desde dezembro de 2012.

Na análise de Marcela, a inadimplência está "parando de piorar". "Existe uma acomodação dos indicadores", diz ela. Um dado da pesquisa que sustenta essa avaliação cautelosa é que o calote das despesas compulsórias, como as contas de água e luz, continua em alta, enquanto a inadimplência de dívidas voluntárias, como financiamentos bancários, diminuiu. No mês passado, pesquisa do SPC Brasil mostra que o calote das contas de água e luz subiu 2,34% em relação ao mesmo período de 2015. Já a inadimplência bancária caiu 0,54%, na mesma base de comparação.

Na opinião do economista da Boa Vista SCPC, Flávio Calife, a perda de fôlego do calote é favorável, apesar de o motivo não ser a melhoria na capacidade de pagamento. "Dá para comemorar porque, sem essa queda, o cenário poderia ser bem pior", diz ele.

Calife observa que o indicador de inadimplência do consumidor, acumulado em 12 meses, vem perdendo fôlego desde abril. Ele acredita que se trata de uma tendência. Tanto é reduziu a projeção de alta do calote para o ano de 4% para 2,5%.

Apesar da redução dos indicadores, Marcela  acredita que uma queda sustentável do calote só deve ocorrer no final do ano que vem, quando houver uma recuperação do emprego e da renda. "Pelo menos estamos começando a enxergar uma luz no fundo do túnel", pondera.

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