AGENCIA PETROBRÁS
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Número de mortos em plataforma a serviço da Petrobrás sobe para 5

Empresa BW Offshore, que opera a unidade afretada pela Petrobrás, atualizou número de vítimas da explosão; outras quatro pessoas seguem desaparecidas, e as buscas continuam no local

, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 09h58

O número de vítimas do acidente no navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus, na Bacia do Espírito Santo, subiu para cinco, informou nesta quinta-feira a empresa BW Offshore, que opera a unidade afretada pela Petrobrás. Outras quatro pessoas seguem desaparecidas, e as buscas no local continuam, segundo comunicado oficial.

Apesar da empresa afirmar que 14 funcionários estão feridos, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que há 25 feridos em consequência da explosão no navio-plataforma.

Em nota, a ANP disse ainda que na quarta-feira à noite dez bombeiros embarcaram na plataforma por helicóptero da Marinha e conseguiram localizar um corpo, já incluído entre os cinco mortos no acidente. O grupo entretanto não teve sucesso na localização de outros corpos devido à falta de acesso à casa de bombas.

Todo o restante da tripulação foi retirado da plataforma. No momento do acidente, 74 pessoas estavam embarcadas. De dez feridos, dois ainda estão em estado crítico. A produção no navio-plataforma foi interrompida, e a unidade, desativada.

"Este é um dia trágico, e nosso objetivo principal agora é com a tripulação e seus familiares. Não podemos descansar até os últimos quatro de nossos homens serem encontrados. Expressamos nossa gratidão à Petrobras e às autoridades brasileiras pelos esforços incansáveis neste período e gostaríamos de agradecer nossos pares e parceiros pelo apoio", afirmou na nota o diretor-executivo da BW Offshore, Carl Arnet.

A explosão no navio-plataforma ocorreu três dias depois de Aldemir Bendine assumir a presidência da Petrobrás. Surpreendida pela notícia em meio a uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, a presidente Dilma Rousseff ligou para Bendine pedindo explicações.

Esse foi o mais grave acidente em uma plataforma da companhia desde março de 2001, quando três explosões sucessivas em tanques de óleo da plataforma P-36, no Campo de Roncador, no litoral norte fluminense, mataram 11 pessoas e acabaram levando a estrutura ao fundo do mar.

Vazamento. Construído em 1988, o navio-plataforma é operado pela empresa norueguesa BW Offshore e afretado pela Petrobrás desde 2009 para a produção de óleo e gás na camada pós-sal dos campos de Camarupim e Camarupim Norte, a 120 km da costa do Espírito Santo.

O Sindipetro-ES diz que o acidente foi causado por um vazamento de gás na praça de máquinas da casa de bombas da plataforma, onde estariam os seis desaparecidos, uma vez que o local ficou sem acesso depois que as escadas ficaram comprometidas pela explosão. De acordo com o sindicato, bombeiros estariam incumbidos do resgate.

A Capitania dos Portos do Espírito Santos decidiu abrir um inquérito para apurar as causas e responsabilidades na explosão. O prazo para a conclusão das investigações é de 90 dias.

'Segurança precária'. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante dos trabalhadores da Petrobrás, criticou o tratamento dado por órgãos fiscalizadores do governo e pela estatal à segurança nas plataformas produtoras de petróleo. A Petrobrás “investe em segurança, porém mal”, afirmou o diretor da federação José Maria Rangel. 

Além disso, alertou que falta uma fiscalização por parte da ANP e do Ministério do Trabalho se as melhores práticas de prevenção a acidentes são cumpridas.

A principal crítica do diretor da FUP, no entanto, é à gestão da área de segurança da Petrobrás. Em sua opinião, “o programa de controle de acidentes é elaborado nos escritórios da empresa, por executivos que nunca pisaram numa plataforma. A opinião dos funcionários é ignorada”.

Lava Jato. Fontes ouvidas pelo Estado revelam ainda a preocupação de que mais acidentes aconteçam como consequência da Operação Lava Jato, da Petrobrás, que investiga um suposto esquema de corrupção na Petrobrás. Na Transpetro, subsidiária responsável pela operação de navios petroleiros e de toda rede de distribuição de petróleo e combustíveis da estatal, os recursos estão escassos e novas contratações, suspensas.

O pesquisador da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Moacyr Duarte diz que ainda não é possível concluir se a situação financeira da companhia afetou seus investimentos em manutenção, acrescentando que o acidente foi em um navio terceirizado. Apesar disso, não descarta que a empresa esteja fragilizada.

“O histórico da Petrobrás é de ter grande competência técnica e quantidade de equipamento para poder fazer face a esse tipo de situação. Mas essa Petrobrás que estou falando, não estava debilitada como a companhia de hoje”, disse. Para o especialista, a agência reguladora (ANP) deveria verificar, por exemplo, se os treinamentos de funcionários continuam sendo feitos e se os equipamentos estão sendo repostos. / DANIELA AMORIM, FERNANDA NUNES, IDIANA TOMAZELLI, MARIANA DURÃO, MARIANA SALLOWICZ e TÂNIA MONTEIRO

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