Número de recuperações judiciais aumenta

Só entre frigoríficos, foram 50 unidades fechadas ou com abates suspensos, diz Abrafigo

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

No setor de carne bovina, um dos mais afetados pela crise internacional, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) contabilizou 50 unidades fechadas ou com abates suspensos. O grupo Independência, um dos principais do Brasil, pediu recuperação judicial e suspendeu os abates em 13 unidades. Dessas, cinco ficam em Mato Grosso, afetado também pelo fechamento de cinco unidades do grupo Quatro Marcos e três do grupo Arantes. Apenas o grupo Arantes, ao pedir a recuperação judicial, somava dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão. Em Mato Grosso do Sul, o impacto da queda nas exportações de carne foi ainda mais forte: 21 dos 36 frigoríficos suspenderam os abates. Segundo o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, parte das unidades que tinham parado em todo o País retoma aos poucos a produção, mas a crise está longe de ser superada. No setor avícola, a crise precipitou a fusão entre a Perdigão e a Sadia, originando a Brasil Foods (BRF). A nova empresa, porém, já surgiu com dívidas de R$ 10,4 bilhões. O maior montante foi herdado da Sadia, que teve perdas significativas com derivativos no ano passado. É dado como certo que a BRF vai enxugar a grande estrutura. No Estado de São Paulo, a Frango Sertanejo, do grupo Arantes, com planta de abates na região de São José do Rio Preto (SP), foi atingida pelo pedido de recuperação judicial da companhia.Grupos avícolas de menor porte dispensaram funcionários e fecharam unidades. A Frango Forte paralisou abatedouros em Conchas e Tietê, no interior paulista. No pedido de recuperação judicial, a empresa alegou a forte queda nas exportações para a Rússia. A situação se agravou pela queda de pelo menos 10% no consumo interno de frangos, sobretudo no Estado de São Paulo. Centenas de integradores continuam com aviários vazios. Somente na região de Sorocaba, cinco grandes granjas de suínos encerraram as atividades. A crise afetou os países importadores e o setor amarga uma das piores crises da história. As granjas que resistem trabalham com prejuízo.No setor sucroalcooleiro, a Companhia Albertina, com usina em Sertãozinho (SP), foi a primeira a pedir recuperação judicial no início da crise internacional. Na sequência, o grupo João Lyra, do ex-deputado federal João Lyra, recorreu à Justiça em favor de suas cinco usinas - três em Alagoas e duas e Minas Gerais - atoladas em dívidas. Depois, foi a vez do grupo Naoum, que controla as usinas de açúcar e álcool Santa Helena, Jaciara e Pantanal, em Mato Grosso, entrar com pedido de recuperação judicial. O presidente do grupo, Edison Couto, disse que a medida visava a preservar os 5 mil postos de trabalho. Outra vítima da crise, o grupo Othon pediu o remédio judicial para suas três usinas na região norte do Rio de Janeiro. No Paraná, esteve à beira da falência a Usina Central do Paraná, do grupo Atalla. O presidente da empresa de consultoria Datagro, Plínio Nastari, acredita que a alta no preço do açúcar pode ajudar essas empresas a se recuperarem e sair da crise. Lembra, porém, que as destilarias, por trabalharem exclusivamente com álcool, vão continuar em dificuldade por causa do preço do combustível abaixo do custo de produção.

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