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Números da crise das empresas de transporte aéreo

As cenas de aeroportos quase completamente vazios são a prova das dificuldades por que passam as companhias aéreas em todo o mundo

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2020 | 05h00

As cenas de aeroportos que até há pouco recebiam 10 milhões de passageiros por ano, ou mais, e hoje estão quase completamente vazios, como o de Congonhas, são a prova das dificuldades por que passam as companhias aéreas em todo o mundo. As imagens de grandes quantidades de aeronaves estacionadas por falta de demanda reforçam a prova. A crise causada pela covid-19, que, entre outras medidas, exigiu o isolamento social em muitas regiões, é uma das mais graves já enfrentadas pela aviação comercial e só não é pior por causa, justamente, da pandemia.

A aparente contradição se desfaz com facilidade quando se comparam os resultados do transporte de cargas e o de passageiros. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que representa 290 companhias aéreas em 120 países, estima que, neste ano, a receita das companhias aéreas poderia cair 48% (praticamente a metade) na comparação com a do ano passado se dependesse apenas do transporte de passageiros. Afinal, a pandemia levou governos a limitar a entrada de estrangeiros em seus países, a saída de seus cidadãos para o exterior e também os deslocamentos internos.

Obviamente, o transporte de cargas também cairá. Mas a redução será bem menos acentuada, de 14% no melhor cenário ou de 31% no pior, de acordo com a Iata. Ela baseia seus cenários nas projeções da Organização Mundial do Comércio, que prevê redução de 13% a 32% no comércio mundial em 2020.

E o transporte de cargas cai menos do que o de passageiros porque o transporte aéreo tem tido papel importante no combate ao novo coronavírus. A urgência da entrega de medicamentos e equipamentos aos centros de demanda impulsiona o uso de aeronaves para seu transporte, observa o economista-chefe da Iata, Brian Pearce. Embora não tenha dados precisos, a Iata estima que o transporte de fármacos dobrou entre janeiro e março. A estimativa não considera o transporte de equipamentos médicos.

Além de registrar resultados menos ruins do que o de passageiros, o transporte de cargas na pandemia está sofrendo menos do que sofreu na crise de 2008, segundo a Iata. Na comparação com um ano antes, o resultado de março é 15,2% menor em termos de tonelada transportada por quilômetro; entre janeiro e dezembro de 2008, a redução foi de 23%.

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