Números do BNDES apontam forte inadimplência

A inadimplência junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) explodiu no primeiro semestre do ano, atingindo R$ 7,45 bilhões no final de junho, segundo balanço do banco estatal de fomento referente ao primeiro semestre de 2003. Esse valor é muito superior às estimativas divulgadas pela instituição e não se restringe às pendências com o grupo AES/Eletropaulo e Southern Electric. Os dois grupos norte-americanos são os responsáveis pelos maiores volumes, com créditos em atraso no valor de R$ 3,26 bilhões e R$ 2,1 bilhões no final de junho, respectivamente, mas além desses atrasos o banco ainda contabiliza outros R$ 2,1 bilhões de outros inadimplentes. No balanço encerrado em junho, o banco provisionou R$ 5,94 bilhões no primeiro semestre para créditos em atraso. Isso levou o banco a contabilizar prejuízos recordes no primeiro semestre, no valor de R$ 2,401 bilhões, sendo R$ 2,031 bilhões apenas no trimestre abril/junho. Com a negociação em andamento com o grupo AES/Eletropaulo, parte das provisões devem ser estornadas, viabilizando a volta do lucro ao banco de fomento até o final do ano. A solução para a questão da Southern Electric, porém, ainda não foi anunciada, o que pode afetar os resultados da instituição ainda no atual trimestre. Queda nos ativos e patrimônioOs números do BNDES também revelam que a instituição encerrou o semestre passado com queda nos ativos totais e no patrimônio líquido em relação ao registrado no final do ano passado. Os ativos totais do banco estatal de fomento somavam R$ 151 bilhões em dezembro de 2002 e caíram para R$ 140 bilhões no final de junho deste ano. O patrimônio líquido do banco, por sua vez, caiu 18,6% no semestre, atingindo R$ 10,055 bilhões no final de junho. A redução de R$ 1,93 bilhão no semestre foi basicamente devido ao prejuízo registrado no período. Outro fator que tem afetado o patrimônio do banco são as seguidas distribuições de dividendos à União, única "dona" do banco. A atual diretoria está tentando evitar novas distribuições, mas o Tesouro Nacional conta com esses recursos para alcançar as metas de superávit primário. Recursos do FATA queda do patrimônio líquido, a rigor, não afeta a solvência do banco, que conta com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador-FAT, com saldo de R$ 61,2 bilhões em junho. O Banco Central aceitou enquadrar os recursos do FAT como "dívida subordinada", já que o BNDES não tem prazo para devolver esses recursos ao FAT. "A sua exigibilidade só virá a ocorrer caso o Ministério do Trabalho não possua recursos suficientes para o pagamento do seguro-desemprego. Nesse caso, seriam amortizados em torno de 5% do saldo devedor ao ano", informa a nota do BNDES que acompanha o balanço.

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