Números que mostram a queda dos investimentos

Um dos mais importantes indicadores dos investimentos produtivos, o faturamento bruto da indústria de máquinas e equipamentos fechou 2014 com péssimo desempenho. Alcançou R$ 71,2 bilhões, o que, em valores reais, significa redução de 13,7% em relação aos resultados de 2013. O consumo aparente de bens de capital (soma da produção local com as importações menos as exportações) atingiu R$ 108,2 bilhões, mas, na comparação com os dados de 2013, teve desempenho ainda pior, com queda de 15%.

O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2015 | 02h03

Esses números, compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), retratam a contenção de investimentos em áreas essenciais, como infraestrutura - sobretudo no setor de energia e transportes - e ampliação da capacidade produtiva.

A insegurança decorrente das tensões que marcaram a campanha eleitoral - transformada em vale-tudo por um dos lados da disputa -, o adiamento de projetos de expansão por causa da Copa do Mundo, a persistência da inflação alta, a fragilidade da política fiscal e a lentidão do governo na execução do programa de concessões de serviços públicos estão entre os principais fatores que retardaram ou contiveram os investimentos no ano passado.

Parte do represamento da demanda interna foi compensada pelas exportações, que aumentaram 7,4% em relação a 2013 e alcançaram US$ 13,3 bilhões. Mesmo tendo caído 12,1%, as importações totalizaram US$ 28,6 bilhões, reafirmando a forte presença de fornecedores estrangeiros no mercado brasileiro.

Mesmo tendo conquistado espaço maior no mercado externo, porém, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos continua a operar bem abaixo de seu potencial. Em dezembro, por exemplo, o nível de utilização de sua capacidade instalada ficou em 69,3%, o pior resultado mensal de toda a série estatística elaborada pela Abimaq. Em relação a dezembro de 2013, por exemplo, a redução foi de 5,3%. A consequência é a redução do pessoal ocupado, que totalizou, no fim do ano passado, 242.238 empregados, o menor quadro de pessoal desde maio de 2010.

Promessas do governo de fazer da infraestrutura o motor do crescimento continuam no papel, em razão do atraso nos programas de investimentos públicos e nos de concessão de serviços para a iniciativa privada. A insegurança dos investidores pode ter diminuído, mas ainda é forte. Assim, este ano não deve ser muito melhor do que o anterior.

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