André Dusek/Estadão
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'Nunca afrontamos o câmbio flutuante', diz Tombini ao deixar o BC

De saída do BC, Tombini afirmou que a inflação estourou o teto da meta (6,5%) apenas no ano passado; Ilan Goldfajn assume nesta segunda-feira

Bernardo Caram, Célia Froufe, Eduardo Rodrigues e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 16h32

O agora ex-presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, participou da cerimônia de transmissão de cargo para seu sucessor, Ilan Goldfajn, nesta segunda-feira, 13, e afirmou que, apesar das dificuldades econômicas, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) continua sólido, capitalizado, líquido e pouco dependente de recursos externos. "A solidez do Sistema Financeiro Nacional representa importante fundamento da economia brasileira, especialmente neste momento", disse.

Ao fazer um balanço sobre sua gestão à frente da autoridade monetária, Tombini disse que foram promovidas medidas de saneamento e, quando necessário, intervenções e liquidações "sem colocar em risco estabilidade financeira".

Tombini ressaltou que o BC não somente concluiu um processo de acumulação de reservas, como atuou para a preservação desse mecanismo. Segundo ele, o BC agiu para manter a funcionalidade do mercado, de forma que não houvesse volatilidade excessiva. "Agimos em momentos de mais volatilidade, mas nunca afrontamos o câmbio flutuante", disse.

Política fiscal. Tombini classificou a condução da política fiscal do governo da presidente afastada Dilma Rousseff como uma das forças "inflacionárias" que teve que enfrentar durante sua gestão à frente do BC.

Tombini agradeceu à diretoria do BC por permitir que tomasse decisões que classificou como "muitas vezes críticas e complexas" na sua gestão, que foi de janeiro de 2011 a junho deste ano.

Ao falar da política fiscal, Tombini a classificou como expansionista desde 2012, o que fez com que aumentasse o prêmio de risco do País. O ex-presidente do BC também citou como pressões inflacionárias que precisou lidar nesse período a política de recuperação salarial dos funcionários públicos; a redução da desigualdade social, que proporcionou melhorias do bem estar da população mas levou ao aumento da inflação, principalmente de serviços e alimentos; a complexidade do cenário internacional, principalmente após a crise de 2008/2009; a depreciação do real frente ao dólar; e o controle dos preços administrados e depois o seguinte reajuste intenso. 

Mesmo com todas essas pressões, lembrou Tombini, a inflação só ultrapassou o teto da meta estipulada pelo governo em 2015. "A manutenção da inflação nos primeiros quatro anos só foi possível graças à política monetária determinada e tempestiva (do BC)", discursou. Segundo ele, com a política fiscal em terreno expansionista, coube exclusivamente à política monetária o enfrentamento da inflação. 

Tombini disse que o sucessor encontrará um cenário de inflação em tendência de queda, graças aos efeitos defasados e acumulados da política monetária, que começam, segundo ele, a impactar a formação de preços e as expectativas. Mesmo assim, considera ainda "desafiador" o balanço de risco para o controle da inflação por causa da presente indexação da economia e de incertezas em relação aos resultados fiscais. "Não tenho dúvida de que o Banco Central adotará as medidas para o cumprimento dos objetivos do sistemas de meta de inflação", afirmou. 

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