Jonne Roriz/Estadão
Jonne Roriz/Estadão

'Nunca fui escolhido para ser campeão', diz presidente do conselho do JBS

Empresário Joesley Batista criticou o uso da expressão 'campeões nacionais' para definir a política de investimentos do BNDES e relativizou a importância do banco na expansão do grupo

Renato Oselame, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 16h27

O presidente do conselho de administração do grupo JBS, Joesley Batista, defendeu investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em empresas do grupo e criticou o uso da expressão "campeãs nacionais" para se referir às estratégias do banco estatal. "Nunca fui escolhido para ser campeão. Tudo o que construímos foi por nossa competência em administrar empresas", disse ele nesta terça-feira, 27, durante painel no Brazil Summit, em São Paulo, evento organizado pela revista The Economist.

O executivo encarou o espaço como uma oportunidade para esclarecer "mitos que se criam" e disse que o BNDES investiu cerca de R$ 8 bilhões na companhia após a sua abertura de capital. "Que hoje valem R$ 16 bilhões", garantiu, indicando os rendimentos do banco com a operação. 

Batista também citou que o BNDES tem participação relevante, de mais de 20% na empresa, mas relativizou a visão de que o banco teve um "papel fundamental" na expansão internacional do frigorífico. "O BNDES teve um papel fundamental assim como o mercado de capitais, os nossos bondholders (credores) também tiveram", disse.

Doações de campanha. O executivo do JBS afirmou que respeita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de barrar as doações de campanhas eleitorais, embora reconheça que o JBS foi a maior financiadora em 2014. No ano passado, a empresa apoiou políticos e partidos com mais de R$ 300 milhões. "Respeitamos muito as regras dos países em que operamos. Desde que as regras sejam claras e valham para todos, encaramos como natural (a proibição)".

No entanto, Batista disse que está preocupado, pois ainda não foi apresentada solução para o financiamento das campanhas. "Estão criando uma restrição, mas não deram ainda uma solução. É o Estado que vai patrocinar?", questionou.

Batista relativizou o montante das doações de campanha do ano passado, afirmando que é preciso colocar o valor em perspectiva "no relativo ao tamanho da empresa, ao porcentual do faturamento e ao que representamos para cada Estado". O executivo citou que o JBS tem mais de cem fábricas no País. "Só em Mato Grosso temos 17 fábricas no segmento de bovinos", exemplificou. 

Sobre a escolha dos partidos para doar, Batista diz que a empresa faz "doações iguais". "Amanhã não queremos ser acusados de ter ajudado mais um ou outro, de ter usado poder econômico para influenciar eleições", justificou.

Mercado. Batista declarou ainda que, no País, o grupo continua a ganhar participação de mercado, "mesmo que, como um todo, ele não esteja crescendo muito" - fato decorrente da crise macroeconômica. O executivo ressaltou que os ganhos de mercado se dão na Seara, rival da BRF, e na Vigor, do setor de lácteos.

O executivo também comentou que o impasse político sobre o orçamento do governo federal para 2016 não pesa sobre as decisões da companhia. "O nosso setor, ao menos, passa um pouco à parte do que chamam de imbróglio político", afirmou.

No exterior, Batista comentou que o mercado norte-americano tem produtividade, o que garante que o país se mantenha competitivo "mesmo com o dólar se fortalecendo". A valorização do dólar no mercado internacional tem preocupado exportadores do país, que temem menores vendas externas. Nos Estados Unidos, o JBS atua tanto no segmento de bovinos quanto no de aves e suínos.

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