''Nuvens'' mais acessíveis

O cenário econômico, que nos últimos anos impôs novos desafios às empresas, tornou agilidade nas decisões, expansão geográfica e redução de custos palavras de ordem. A instabilidade financeira, que marcou 2009, acentuou ainda mais essas premissas e deixou claro que a competitividade - e mesmo a sobrevivência das empresas - depende da capacidade de alcançar esses objetivos.

Michel Levy, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Para aumentar a eficiência, o uso de TI é cada vez mais recorrente, mas a preocupação com os custos da área fez com que as corporações demandassem modelos diferenciados de aquisição de tecnologia. Nesse contexto, vem ganhando força o que ficou conhecido como computação em nuvem, ou cloud computing.

O conceito é simples: o que se propõe é que os recursos de tecnologia estejam disponíveis de acordo com a demanda. Uma analogia comumente usada, e que ajuda na compreensão, é o modelo de comercialização praticado no setor de energia elétrica, em que pagamos de acordo com o uso.

Na maior parte das vezes ele não tem ideia, mas o consumidor já desfruta disso há algum tempo. Cada vez que a acessa o webmail, ele está usando nada mais nada menos que um serviço na nuvem. Mas quando se fala em mercado corporativo, a questão ganha novos contornos, que exigem análise cuidadosa.

Por um lado, o novo desenho traz atrativos, como potencial significativo de redução de gastos. Ao utilizar a estrutura de um provedor para as demandas de TI, a corporação enxuga o custo fixo relacionado aos ativos e diminui os montantes destinados à manutenção dos sistemas, que hoje representam cerca de 70% dos orçamentos de TI. Com isso, a companhia abre espaço para realocar verbas, concentrando-se mais nos projetos de inovação, que garantirão maior diferencial competitivo.

A flexibilidade e a agilidade também figuram na lista de vantagens. Empresas com filiais espalhadas pelo País não precisam manter estruturas tecnológicas em cada ponto ou criar um grande centro de dados para processar as informações das diversas localidades. Podem desfrutar da tecnologia como um serviço.

Do ponto de vista das companhias, elas terão mais flexibilidade na compra de tecnologia. Empresas menores, com capacidade reduzida de investimento, poderão desfrutar de recursos mais avançados. Além disso, companhias com necessidades específicas e demanda sazonal de recursos tecnológicos poderão se beneficiar do modelo.

De acordo com a IDC, da receita total de TI no Brasil, que foi de R$ 59 bilhões em 2009, o cloud computing foi responsável por 1% e deve triplicar sua participação nos próximos quatro anos. O IDC estima que os serviços em nuvem possam agregar mais de R$ 34,5 bilhões em novas receitas líquidas de negócios para a economia do Brasil entre o final de 2009 e o final de 2013.

A computação em nuvem ainda possibilita que as companhias se adaptem rapidamente às flutuações de mercado, reduzindo ou ampliando a estrutura contratada nos momentos de baixa demanda ou de economia aquecida. Com a disponibilidade tecnológica a um clique de distância, as companhias conseguem implementar projetos com mais agilidade, sem precisar se preocupar com disponibilidade ou atualização de sistemas. É possível estabelecer contratos que preveem altos níveis de qualidade de serviço e segurança.

Apesar das expectativas positivas e das vantagens do modelo, as empresas precisam ser cuidadosas. Assim como na aquisição de qualquer produto, a computação em nuvem também exige análise da adequação da oferta ao perfil do negócio, além do cálculo do retorno sobre investimento.

Outro ponto importante é mapear o que deve ser contratado como serviço e o que precisa continuar rodando na empresa. As aplicações mais estratégicas para o negócio e as soluções que exigem interação constante do usuário podem ser mais eficientes se mantidas internamente para assegurar melhor desempenho.

A oferta padronizada, característica da computação em nuvem, fará com que muitas empresas mantenham sistemas customizados internamente. Há ainda os desafios quanto à infraestrutura de telecomunicações, que devem ser superados para o êxito da computação em nuvem.

O modelo de negócios no qual se apoiará a oferta de tecnologia como serviço é outro aspecto que precisa amadurecer. A indústria de TI estuda alternativas e precisa responder a muitas questões relacionadas à computação em nuvem.

O mais importante é que o modelo traz para as corporações um novo panorama em que é possível optar por estruturas mistas, com serviços na nuvem e softwares instalados na máquina para proporcionar o melhor desempenho para a empresa.

Assim como o videocassete e o DVD não desbancaram o cinema, o novo conceito de comercialização de TI não eliminará o anterior. Ao contrário. Ele garantirá mais comodidade e eficiência às empresas devido ao poder de escolha e permitirá que segmentos com características diferenciadas, como o de pequenas e médias, tenham mais oportunidades de acesso à tecnologia, ampliando as oportunidades de negócios.

PRESIDENTE DA MICROSOFT BRASIL

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