NY limita reação na Bovespa com trégua externa

Mesmo as notícias da criação de uma linha de swap de moedas do Banco Central não sustentaram os ganhos

Paula Laier, da Agência Estado

29 de outubro de 2008 | 18h56

A Bovespa  disparou na última meia hora de sessão, reagindo à aceleração dos ganhos em Nova York e a notícias da criação de uma linha de swap de moedas do Banco Central contudo, não sustentaram os ganhos, retomando a forte volatilidade que marcou a sessão, o que tirou o Ibovespa das máximas, para fechar em alta de 4,37%, aos 34.845,21 pontos - de 33.387 pontos na mínima (estável) e 35.766 pontos na máxima (+7,13%). No mês, contudo, a queda soma 29,66% e no ano, 45,46%. Veja também:Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundoVeja os primeiros indicadores da crise financeira no BrasilLições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Desde cedo, as ações brasileiras já vinham se beneficiando da trégua no noticiário negativo externo combinada com a recuperação nos preços de commodities, com o Ibovespa sustentando-se no azul, apesar da forte oscilação dos índices acionários norte-americanos. O anúncio do corte da taxa de juro dos Fed Funds em linha com o esperado chegou a reduzir o avanço do índice doméstico, reflexo do enfraquecimento em Wall Street. Mas as bolsas em Nova York ainda reagiriam antes de algumas encerrarem no vermelho. O Dow Jones caiu 0,82% e o SP-500, 1,11%. O Nasdaq subiu 0,47%.  O Fed cortou a taxa dos Fed Funds (títulos que lastreiam os empréstimos interbancários no overnight) em 0,50 ponto porcentual para 1%, o nível mais baixo desde entre junho de 2003 e junho de 2004. No comunicado que acompanhou a decisão, as autoridades do Fed deixaram a porta aberta para cortes adicionais, a níveis não vistos em meio século, colocando as taxas no rumo antes inimaginável do juro zero. A decisão foi unânime e incluiu a redução da taxa de redesconto, que cobra nos empréstimos diretos aos bancos, em 0,5 ponto para 1,25%.  Mais cedo, alguns players aventaram a possibilidade de o Ibovespa devolver a alta após a confirmação do corte do juro norte-americano, na linha do "compra no boato e realiza no fato", uma vez que as bolsas nos EUA não mostravam firmeza. De fato, o índice brasileiro reduziu a alta alinhado à oscilação em Nova York, onde os pregões mostraram forte oscilação, trabalhando inclusive no vermelho. Mas isso durou pouco e os índices em Wall Street tomaram fôlego e firmaram trajetória ascendente, acelerando também os ganhos na Bovespa. Nesse momento, a bolsa brasileira ainda recebeu o impulso do anúncio de que o Banco Central do Brasil e o Fed estabeleceram uma linha de swap de dólares americanos por reais no montante de US$ 30 bilhões, válida até 30 de abril de 200. "A linha não implica condicionalidades de política econômica e será utilizada para incrementar os fundos disponíveis para as operações de provisão de liquidez em dólares pelo BC", diz o comunicado do BC. O Fed estabeleceu a mesma linha de swap com Cingapura, Coréia e o México, em montantes e prazos iguais. Ainda, o Conselho Executivo do FMI anunciou a criação de uma linha de liquidez de curto prazo (SLF, na sigla em inglês) para estabelecer um rápido canal de desembolso de financiamento para países com fortes políticas econômicas que estejam enfrentando problemas temporários de liquidez nos mercados de capital globais.  Participantes do mercado, contudo, olharam com certa cautela a valorização do Ibovespa hoje, chamando atenção para o volume, que segue fraco: R$ 4,966 bilhões nesta sessão. Para um profissional, boa parte dessa alta deve ser diminuição de posição vendida e não compra.Manoel Carlos Pereira de Souza, da consultoria Lopes Filho, chama a atenção para o movimento dos contratos futuro do Ibovespa, onde as vendas dos estrangeiros ainda superam as compras. "Se vendem a futuro, é um sinal de que ainda não apostam na bolsa em alta", observou, lembrando que esses investidores foram os grandes responsáveis pelo vigor da Bovespa até maio e que depois passaram a atuar com força na venda. "Enquanto o investidor estrangeiro não voltar a comprar, será difícil a Bovespa se recuperar", afirmou. A bolsa fechou antes do anúncio da decisão do Copom sobre o juro brasileiro, que deve ser anunciado logo mais. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano - e a expectativa majoritária é de manutenção desse porcentual. Levantamento do AE Projeções mostrava que, de um total de 63 casas consultadas, 39 contam com a manutenção da taxa, 21 com uma elevação de 0,50 ponto porcentual e apenas três aguardam acréscimo de 0,25 ponto porcentual. De acordo com o gestor de uma asset no Rio, se o Copom não atrapalhar, elevando o juro, a bolsa pode manter a alta amanhã. No cenário corporativo doméstico, o destaque ficou para o leilão de cinco lotes de rodovias no Estado de São Paulo. Os papéis da CCR ocuparam mais cedo na liderança dos ganhos do Ibovespa. Mas com a derrota na disputa do lote das rodovias Ayrton Senna/Carvalho Pinto, único que disputava, as ações ON da empresa reduziram a alta, encerrando com valorização de 4,78%. A Triunfo Participações foi quem levou a concessão. No caso do trecho da rodovia Raposo Tavares, o vencedor foi o consórcio formado pela Invepar e pela construtora OAS. O consórcio BR Vias venceu a disputa pelo trecho oeste da Rodovia Marechal Rondon. O consórcio Brasinfra (Cibe, portuguesa Ascendi e construtora Leão Leão) venceu a disputa pelo trecho leste da Rodovia Marechal Rondon. A Odebrecht venceu a concorrência pela Rodovia D. Pedro I. A OHL Brasil não apresentou propostas, após analisar fatores como cenário econômico e expectativa de retorno para seus acionistas. As ações ON - que não integram o Ibovespa - subiram 1,99%. As ações do setor imobiliário permaneceram como destaque de alta no índice, ainda na expectativa do anúncio da linha de crédito para a construção civil prevista para ser anunciada hoje. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os recursos de capital de giro para o setor serão da ordem de R$ 3 bilhões. Mantega reúne-se no início da noite com os presidentes do BC, Henrique Meirelles, do BNDES, Luciano Coutinho, do BB, Antonio Francisco Lima Neto, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho. Gafisa ON liderou os ganhos ao subir 16,87% e Cyrela ON avançou 1,11% - a sétima maior elevação. No caso das blue chips, as ações da Vale foram ainda beneficiadas pelo avanço nos preços de algumas commodities metálicas: as PNA subiram 2,40% e as ON, 3,10%. No caso da Petrobras, os papéis também tiveram como suporte a alta expressiva nos preços do petróleo - na Nymex, o contrato para dezembro encerrou a US$ 67,50 (+7,60%). Na Bovespa, as preferenciais da Petrobras ganharam 6,73% e as ON, 7,48%. A Usiminas também subiu hoje, após a divulgação de seu balanço. A empresa teve lucro líquido de R$ 880,451 milhões no terceiro trimestre deste ano, um crescimento de 16% sobre o lucro de R$ 757,893 milhões no mesmo período de 2007. A receita líquida consolidada da siderúrgica ficou em R$ 4,451 bilhões de julho a setembro, expansão de 23% na comparação anual. A ação PNA subiu 5,78%. Outras siderúrgicas acompanharam: Gerdau PN avançou 2,07% e CSN ON teve acréscimo de 2,29%. As ações PN da Sadia, que divulga balanço após o fechamento, encerram o dia com acréscimo de 0,96%. O resultado da empresas é bastante aguardado, uma vez que em setembro divulgou perda de R$ 760 milhões com operações de derivativos cambiais. A média das projeções de cinco instituições financeiras consultadas pela Agência Estado - Fator, Citi, Link, Unibanco e Brascan - aponta para um prejuízo de R$ 815 milhões no terceiro trimestre do ano. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou lucro líquido de R$ 188 milhões. As maiores quedas do índice foram registradas por Eletropaulo PNB (-5,35%), Braskem PNA (-4,45%) e Brasil Telecom Participações PN (-4,04%).

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