NY tem a pior semana da história; na Bovespa, a perda é de 20%

Apesar das intervenções do BC, dólar fecha na máxima do dia, em R$ 2,32, nível mais alto desde maio de 2006

Da Redação,

10 de outubro de 2008 | 17h15

As bolsas tiveram mais um dia de pânico no mundo todo. Os investidores estão céticos e correm para encontrar um porto seguro para colocar suas aplicações. A falta de crédito, a expectativa de resultados ruins das empresas no terceiro trimestre e os temores de recessão agravam o quadro de incertezas quanto à solidez do sistema bancário mundial.       Veja também: Bush receberá ministros do G7 na Casa Branca Como o mundo reage à crise  Reino Unido congela ativos do banco islandês Landsbanki FMI age para garantir crédito a emergentes Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    Resultado deste cenário: a Bolsa de Nova York teve a pior semana da história. A perda acumulada é de 18%, a maior em 112 anos. Nesta sexta, o índice chegou a cair 7% durante a manhã. No final do pregão oscilou muito, entre altas e baixas, e encerrou o dia com perda de 1,31%.   O Wall Street Journal destacou em sua edição eletrônica que a bolsa americana já discute suspender temporariamente as negociações com algumas ações. Trata-se de um tipo de circuit breaker para evitar posições de venda a descoberto de uma ação após forte queda em seu preço.   A venda a descoberto permite que um investidor alugue uma ação para vendê-la e comprá-la, lucrando com a diferença, para então devolvê-la ao proprietário. Ao suspender temporariamente estes negócios, a Dow Jones pretende reduzir as operações de especulação.     A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu o desempenho da bolsa americana e fechou com perda de 4,09%. Na semana, a baixa chega a 20%. É o pior desempenho desde a crise da Ásia em 1997.   No começo do dia, os negócios foram interrompidos pelo terceiro circuit breaker da semana, quando caiu 10%, às 10h34. O circuit breaker é um procedimento estabelecido pela Bolsa, sempre que o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas - chega a uma queda de 10% em relação ao índice de fechamento do dia anterior. Os negócios ficaram interrompidos por 30 minutos.   Na Europa, as bolsas fecharam em queda forte. Londres despencou 8,48%; Frankfurt caiu 7,01%. Paris desabou 7,73%, o menor nível desde outubro de 2003. A bolsa de Madri deslizou 9,1% e fechou no patamar mínimo desde 2005.   No Brasil, nem mesmo as intervenções do Banco Central foram suficientes para conter a escalada do dólar. A moeda norte-americana fechou em R$ 2,3200, patamar máximo do dia, em alta de 6,91%. O fato é que as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, com três leilões de venda de dólares no mercado à vista mais um leilão de swap cambial (troca de títulos indexados em juros por papéis que pagam a variação cambial), nesta sexta-feira, não foram capazes de compensar o péssimo desempenho das principais bolsas de valores mundiais durante a maior parte do dia.   Empresas em risco   As montadoras dos Estados Unidos estão elevando a pressão sobre o governo para que implemente rapidamente o programa de crédito de US$ 25 bilhões aprovado recentemente. As empresas afirmam que suas necessidades de capital tornaram-se ainda mais urgentes após as turbulências do mercado de ações desta semana.   Integrantes do governo George W. Bush reafirmaram nesta semana que pode demorar entre 6 e 18 meses até a conclusão do trabalho de redação da lei e a liberação dos empréstimos, cujo objetivo é ajudar a indústria automobilística a adaptar-se ao novos padrões de economia de combustível.   O setor automobilístico pressiona o governo para que comece a liberar os empréstimos já em janeiro. Aliados das montadoras no Congresso, como o deputado John Dingell e a senadora Debbie Stabenow - ambos democratas de Michigan - pressionam o governo para que o processo seja acelerado.   Ontem, a General Motors e a Ford viram o preço de suas ações despencarem 31% e 22%, respectivamente, alimentando as especulações de que podem não ter dinheiro suficiente para sobreviver ao aprofundamento da desaceleração econômica.   Expectativas   De modo geral, a aversão ao risco e movimentos de manada continuam fortes, bem como o medo da recessão e a desconfiança sobre se - e até que ponto - as autoridades políticas conseguirão reverter a situação. É nesse ambiente que cresce a expectativa de que a reunião do grupo dos sete países mais industrializados do mundo, o G-7, que começa hoje à tarde em Washington, possa trazer mais medidas concretas contra a crise financeira, além das várias que já foram anunciadas ao longo destas últimas semanas. Às 19h45 (de Brasília), o secretário do Tesouro, Henry Paulson, dará entrevista coletiva. O encontro do G-7 continua amanhã, quando também se reúnem o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial (Bird).   Um dos assuntos a serem discutidos na reunião do G-7, de acordo com o Wall Street Journal, é a proposta do governo britânico de garantir até 250 bilhões de libras (US$ 432 bilhões) em dívida bancária que vencerá num prazo de até 36 meses. O jornal fala na possibilidade de que os EUA também adotem essa medida. Outra possibilidade aventada é a de que o governo norte-americano passe a garantir, ao menos temporariamente, todos os depósitos bancários no país, na tentativa de injetar pelo menos um pouco de confiança num sistema que tanto carece dela.   Embora os EUA tenham tentado não alimentar expectativas de que um plano de socorro do G-7 será revelado neste fim de semana, o próprio presidente do país, George W. Bush, já veio a público hoje para anunciar que seu governo possui as ferramentas necessárias para restaurar a ordem nos mercados financeiros e resolver a crise econômica.   Medidas pontuais   A bolsa americana já discute suspender temporariamente as negociações com algumas ações. Trata-se de um tipo de circuit breaker para evitar posições de venda a descoberto de uma ação após forte queda em seu preço. A venda a descoberto permite que um investidor alugue uma ação para vendê-la e comprá-la, lucrando com a diferença, para então devolvê-la ao proprietário. Ao suspender temporariamente estes negócios, a Dow Jones pretende reduzir as operações de especulação.   Pela proposta, o circuit breaker seria ativado se uma ação fechasse 20% abaixo do valor de fechamento na sessão anterior, afirmaram as fontes. No dia seguinte, ficariam proibidas as vendas a descoberto naquela ação durante três dias.   A idéia do circuit breaker tem sido discutida durante semanas. Os termos da proposta são os que atualmente estão sendo considerados pela NYSE Euronext, Nasdaq e SEC (agência reguladora do mercado americano). Representantes das bolsas e da SEC negaram-se a comentar.   Nesta semana, expirou uma proibição temporária emitida pela SEC em setembro de vendas a descoberto de 1 mil ações de empresas do setor financeiro.

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