NY vira e Bovespa volta a operar em queda, de mais de 4%

Temor de recessão mundial volta a assombrar investidores e Bolsa de São Paulo não sustenta alta

Da Redação,

23 de outubro de 2008 | 15h47

A inversão da tendência nas bolsas de Nova York prejudicou o mercado no Brasil nesta tarde. A Bolsa de Valores de São Paulo, que chegou a subir 2% nesta quinta-feira, caía 4,49% às 15h45, aos 33.496 pontos. Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,98%, enquanto o Nasdaq registrava perdas de 2,76%.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    O clima negativo desta quinta-feira contaminou outros mercados. Os juros futuros dispararam na abertura do pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), refletindo a forte aversão ao risco que provoca zeragem de posições, especialmente de investidores estrangeiros. Em apenas dez minutos de pregão, o contrato de DI para janeiro de 2012 já atingia a máxima de 18,25%, frente a 17,43%. O limite máximo de oscilação desse contrato hoje é de 18,93%.   O dólar pronto negociado na BM&F disparou mais cedo, atingindo a cotação máxima de R$ 2,532. Depois do anúncio do Banco Central de que fará um programa de venda de swap cambial de US$ 50 bilhões, a queda da moeda norte-americana foi brusca e forte. Às 14h45, o dólar à vista caía 3,99%, a R$ 2,285.   Na quarta-feira, em meio ao pessimismo com a perspectiva para a economia global, a Bovespa voltou a acionar o mecanismo de circuit breaker, que interrompe as negociações quando a queda do seu principal índice - o Ibovespa - ultrapassa 10%. O mercado paulista encerrou o dia com recuo de 10,18%, aos 35.069,73 pontos, o menor patamar desde 25 de setembro de 2006 (34.972,74 pontos).   EUA   O mercado esperava que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subisse apenas 2 mil na semana. Segundo dados divulgados pela manhã, no entanto, o avanço foi de 15 mil pedidos. "Se 2008 foi definido pela inflação e volatilidade, 2009 será marcado pelo desemprego e consolidação financeira", dizem os estrategistas do Royal Bank of Scotland. "A economia real irá se deteriorar mais e nós esperamos forte contração no Reino Unido, Estados Unidos e zona do euro."   Sinais negativos já não faltam. Segundo o "Financial Times", a ArcelorMittal, maior produtora de aço do mundo, está revendo seu programa de expansão de US$ 35 bilhões e se prepara para um período de crescimento mais fraco. Depois de tantos pacotes de resgate do sistema bancário, os governos agora planejam incentivos para a economia. A intenção já foi discutida no Reino Unido, levantada pelo presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, Ben Bernanke, e agora vai sendo preparada pela Alemanha. Conforme o FT, o país adotará medidas para dar suporte ao consumo e ajudar algumas indústrias.   A ação dos governos também se dá pela redução dos juros. Após o corte coordenado em vários países no início do mês, o Banco Central da Suécia voltou a baixar as taxas hoje, em mais 0,50 ponto porcentual, para 3,75%. Com isso, resta a expectativa de qual será a decisão do Banco Central brasileiro na próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir os rumos das taxas.  

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