Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

NYT destaca acordo da Petrobrás em ação coletiva nos EUA

Reportagem publicada na edição desta quinta-feira, 4, do jornal americano lembra dos prejuízos financeiros causados à estatal devido à corrupção e um esquema de propinas envolvendo políticos brasileiros de alto escalão

Ricardo Leopoldo, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2018 | 15h54

NOVA YORK - O jornal The New York Times traz reportagem em sua edição impressa desta quinta-feira, 4, sobre o acordo firmado pela Petrobrás com investidores que moveram ação coletiva contra a estatal, por prejuízos financeiros com queda do valor de ativos da empresa motivada por casos de corrupção ocorridos na companhia e que são investigados no Brasil pela Operação Lava Jato. A Petrobrás aceitou pagar um total de US$ 2,95 bilhões a este grupo de investidores.

+ Acordo bilionário da Petrobrás nos EUA anima investidor brasileiro

O artigo assinado por Chad Bray e Stanley Reed relata que promotores no Brasil apontaram que um pequeno grupo de ex-executivos da Petrobrás conspirou com dirigentes de outras empresas para firmarem contratos superfaturados com a estatal, e com isso receberam propinas. A reportagem também destaca que as investigações da Lava Jato já implicaram diversos políticos, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e envolveram também o presidente Michel Temer e vários de seus aliados próximos.

"Autoridades da Petrobrás acreditam que perto de US$ 3 bilhões em suborno foram pagos como parte do esquema, que alegadamente incluiu presentes como relógios Rolex, garrafas de vinho de US$ 3 mil, iates, helicópteros e prostitutas", apontou o The New York Times.

Por outro lado, o artigo ressalta posição da empresa já manifestada em vários documentos, como apontou fato relevante divulgado ontem. "O acordo não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos irregulares pela Petrobrás", destacou o documento. O The New York Times ressaltou posição da companhia de que foi "vítima do esquema de suborno" e que inclusive já recuperou R$ 1,475 bilhão no Brasil e que "continuará buscando todas as medidas legais contra as empresas e indivíduos responsáveis."

A reportagem também aponta que o acordo assinado pela Petrobrás com investidores representados pela ação coletiva visa encerrar todas as demandas por ressarcimentos e que poderiam ser solicitadas por instituições ou pessoas físicas que compraram títulos da companhia.

O The New York Times ressaltou também que sob o comando de Pedro Parente, a "Petrobrás tem tentado limpar sua imagem das consequências do escândalo". Entre outras iniciativas para melhorar a gestão da companhia, o jornal americano destacou o programa de venda de ativos. "No ano passado, por exemplo, a Total, da França, comprou uma participação nos campos de Iara e Lapa e outros ativos por US$ 2,2 bilhões. Em dezembro, a Statoil, companhia da Noruega, aceitou pagar até US$ 2,9 bilhões por uma parte em outro campo da Petrobras chamado Roncador."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.