O ajuste difícil do setor automobilístico

A persistência de indicadores fracos de produção e de vendas de veículos em março está forçando as montadoras a avaliar o emprego de mecanismos de convivência com uma estagnação prolongada da economia. Entre os desafios está a preservação dos empregos e dos custos relacionados aos elevados estoques nas fábricas e nas concessionárias. Nessa conjuntura difícil, a política de elevação de preços pode trazer mais riscos do que se imagina, se resultar num recuo prolongado da atividade do setor.

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2015 | 02h02

Um único indicador foi favorável em março: o aumento da produção e das vendas em relação a fevereiro, decorrente do menor número de dias úteis no mês anterior. Na comparação com março de 2014, houve queda de 7% na produção, de 272,8 mil para 253,6 mil veículos; e de 2,6% nos licenciamentos, de 240,8 mil para 234,6 mil, segundo a associação das montadoras (Anfavea).

Entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, o recuo foi de 16,2% na produção e de 17% nas vendas. E na comparação entre 12 meses, até março, com os 12 meses anteriores, a produção cedeu 17,2% (de 3,64 milhões para 3,02 milhões) e as vendas, 10,4%, de 3,75 milhões para 3,36 milhões. São, assim, números muito ruins.

Como as dificuldades de mercado não se restringem ao Brasil, as exportações, de US$ 0,91 bilhão, pouco se beneficiaram da desvalorização do real. Em 12 meses, as vendas externas diminuíram 31,3%, de US$ 16 bilhões para US$ 11 bilhões.

Crédito escasso e caro, falta de confiança do consumidor na economia, no emprego e na preservação da renda, além da redução de investimentos em caminhões e máquinas agrícolas foram decisivos para a elevação dos estoques. Estes passaram de 329 mil unidades em fevereiro para 360,3 mil em março. A situação é pior nas concessionárias do que nas fábricas. A Anfavea já reduziu as expectativas para o ano: espera produzir 2,832 milhões de veículos, 10% menos do que em 2014.

Um dos problemas mais graves está no emprego, com o corte de 1.466 vagas em março e de quase 15 mil em 12 meses, o que reduziu o pessoal ocupado de 155,5 mil para 140,9 mil. Mecanismos de redução do número de dias de trabalho podem evitar o agravamento do quadro.

A opção da maioria das montadoras foi reajustar mais intensamente os preços dos veículos novos. Ainda que os custos em alta a expliquem, essa política poderá provocar um achatamento ainda maior do mercado e dificultar sua recuperação.

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