O alto preço para entrar no seleto clube de Davos

Só pelo direito de ser convidado, participante paga US$ 52 mil. Algumas festas custam US$ 250 mil

Andrew Ross Sorkin, The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

Altos executivos, líderes de governos e acadêmicos de todo o mundo estão a caminho de Davos, Suíça, para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial - um encontro de poderes inebriantes que mistura negócios, política e champanha nos Alpes suíços. Trata-se de um evento que atrai um amplo leque de tomadores de decisões para analisar como resolver os problemas mundiais.

Boa parte da semana será dedicada na verdade a uma coisa: relacionamentos. Um convite para o encontro deve supostamente ser considerado uma honra exclusiva. Mas para executivos de grandes empresas, o custo para aparecer em Davos, mesmo que por apenas dois dias, não sai barato.

Para começar, o ingresso não é gratuito. Só para ter a oportunidade de ser convidado, você precisa se filiar ao Fórum Econômico Mundial, organização suíça sem fins lucrativos fundada por Klaus Schwab, acadêmico de origem alemã que conseguiu criar uma conferência global na neve.

Há diversos níveis de filiação: o nível básico, que lhe renderá um convite a Davos, custa 50 mil francos suíços, ou cerca de US$ 52 mil. O ingresso em si custa outros 18 mil francos suíços (US$ 19 mil), mais imposto, o que eleva o custo para US$ 71 mil.

Mas essa tarifa apenas o coloca junto com as massas em Davos, com entrada para todas as sessões gerais. Se quiser ser convidado para o outro lado da corda de veludo para participar em sessões privadas com seus pares da indústria, você terá de ascender ao nível "Industry Associate". Isso custa US$ 137 mil, mais o preço do ingresso, o que eleva a conta para cerca de US$ 156 mil.

Evidentemente, a maioria dos presidentes-executivos não vai a lugar nenhum sozinha, e poderá pedir a companhia de um colega. Bem, o Fórum Econômico Mundial não lhe permite simplesmente comprar um ingresso adicional por US$ 19 mil. Você terá de avançar sua filiação anual ao nível "Industry Partner". Isso lhe custará cerca de US$ 263 mil, mais o custo de dois ingressos, elevando o total a US$ 301 mil.

Se quiser levar um grupo de cinco pessoas, por exemplo, você precisa entrar no nível "Strategic Partner". O preço básico: US$ 527 mil. Mais US$ 19 mil por convite, o que eleva o custo total para US$ 662 mil. Neste ano, todos os "Strategic Partners" devem convidar ao menos uma mulher, parte de um esforço para diversificar a lista de participantes. Como parte do nível de parceiro estratégico, você tem acesso às sessões privadas e também a salas de conferência especiais para realizar encontros. E, talvez, a maior mordomia de todas, seu carro com motorista recebe um adesivo que permite o serviço de transporte porta a porta.

No momento, o fórum diz que não está aceitando pedidos para se tornar "parceiro estratégico" a menos que a companhia seja da China ou da Índia e esteja entre as 250 maiores do mundo.

A filiação a todos os níveis não só lhe dá acesso ao encontro em Davos, mas também a pelo menos uma meia dúzia de outras reuniões em todo o mundo. A filiação dá acesso aos vários projetos de pesquisa do fórum.

Todos esses custos, é claro, não incluem as despesas de viagem para chegar à Suíça, circular por lá e, quem sabe, bancar um jantar ou um coquetel para clientes. Neste ano, um grande investidor está alugando um chalé de cinco quartos nos arredores de Davos para ele e seu staff. O custo? Uma bagatela de US$ 140 mil pela semana. Um carro com motorista, que o Fórum Econômico Mundial organizará para você, custa cerca de US$ 10 mil por semana para um Mercedes S Class.

Uma tarifa de primeira classe de Nova York a Zurique custa em torno de US$ 11 mil. Mas um avião privado usando NetJets lhe custará cerca de US$ 70 mil ida e volta. O serviço de helicóptero de Zurique a Davos? US$ 3.400 só ida. (O fórum oferece um serviço de ônibus gratuito para os que se preocupam com sua pegada ambiental.) Evidentemente, muitas empresas bancam jantares para clientes, e algumas, jantares em várias noites.

No Posthotel, por exemplo, o restaurante está cobrando um mínimo de US$ 210 por cabeça. Um coquetel para 60 a 80 pessoas por apenas uma hora? Isso custa cerca de US$ 8 mil. Duas horas: US$ 16 mil.

As festas maiores, como uma que será oferecida pelo Google na sexta-feira, pode custar mais de US$ 250 mil. Todos esses custos ajudaram a fazer do Fórum Econômico Mundial um grande negócio - talvez o maior organizador de conferências do mundo. Segundo um relatório anual, ele fatura cerca de US$ 185 milhões. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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