DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

‘O ambiente para fechar negócios está muito mais favorável este ano’

Segundo executivo, a política econômica implementada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes agrada os investidores e os empresários

Entrevista com

Daniel Wainstein

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2019 | 05h00

Depois de um 2018 permeado por incertezas provocadas pela corrida eleitoral, o ambiente voltou a ficar mais favorável para fechar operações de fusões e aquisições no Brasil. “Só fechou operações no ano passado quem realmente precisava”, disse Daniel Wainstein, presidente da Greenhill no Brasil, uma das maiores butiques globais de M&As. A Greenhill aparece em terceira posição com oito transações fechadas até agosto deste ano, atrás somente do BTG Pactual e Itaú BBA. O banco de investimento assessorou importantes negócios, como a venda das participações do IFC e do fundo Victoria para o Itaú da plataforma de crédito estudantil Pravaler e a corretora Ouroinvest para o BTG. 

O Brasil se tornou mais atraente para transações de fusões e aquisições? 

Sem dúvida. O ano de 2018 foi bem difícil. Só fechou operações quem realmente precisava porque havia uma incerteza muito grande em relação às eleições. Como a corrida eleitoral só foi definida no fim de outubro, muitas operações ficaram represadas e foram concluídas este ano. 

A agenda econômica do atual governo está atraindo investidores?

O ambiente de negócios melhorou muito em relação aos últimos anos. A política econômica implementada pelo ministro Paulo Guedes agrada aos investidores e aos empresários, sem dúvida. Há vários aspectos positivos, como a desburocratização da economia, desoneração da folha de pagamento, equilíbrio das contas públicas e diminuição da presença do Estado, que ajudam a atrair investimentos de longo prazo ao País.

Mesmo com a economia não reagindo como se esperava?

Há hoje um cenário mais previsível em relação ao câmbio e uma perspectiva positiva em relação ao crescimento do País. Os fundos de private equity (que compram participações em empresas) estão voltando. No ano passado, diante das incertezas, esses fundos não tinham como mensurar o retorno sobre seus investimentos. A retomada econômica trará os investimentos de volta. Com isso, o consumidor aumenta a confiança e volta a gastar. Hoje, o desemprego ainda é muito preocupante. 

Mas o câmbio ainda segue volátil com a guerra comercial e crise argentina... 

Mas não no mesmo patamar de volatilidade de risco do ano passado. 

A atual crise ambiental afugenta investidores?

Vemos cada vez mais fundos fazendo investimentos em empresas sustentáveis, preocupadas com o meio ambiente, e também apostando em diversidade. Minha preocupação é o Brasil passar a ser percebido como um local que não atende ao propósito desses investidores. 

 

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