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José Roberto Mendonça de Barros
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O ano começa conturbado lá fora

Finalmente, os mercados admitiram que os juros vão voltar a subir nos Estados Unidos

José Roberto Mendonça de Barros, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2022 | 04h00

Mudou o calendário, mas as incertezas quanto ao cenário continuam até mais fortes. 

A nova variante da covid ainda afeta quase todos os países do mundo. Mesmo que a letalidade seja menor do que nas outras ondas, a Ômicron se espalha com uma incrível velocidade e cria inúmeras dificuldades nos países onde a proporção da população adulta que não quer se imunizar é grande. Isso é especialmente visível nos Estados Unidos e na Europa, lembrando que a variante continua extremamente perigosa para os não vacinados. A redução na mobilidade continua afetando os serviços e a oferta de mão de obra, e isso limita o crescimento do ano. O Banco Mundial reduziu sua projeção para o PIB global para 4,1%. 

Um segundo fator é a crescente tensão internacional entre a Rússia e o mundo ocidental em torno da Ucrânia. Entre outras consequências, os preços de petróleo seguem em sua trajetória de alta, e não é fora de propósito que as cotações ultrapassem os US$ 90 nos próximos dias. 

Em vista desses eventos, seguimos com restrições nas cadeias globais de suprimentos, inclusive porque a China tem fechado com frequência fábricas e portos. 

Naturalmente, a inflação continua alta, e um alívio não está à vista no curto prazo. Isso nos leva à questão mais relevante no cenário internacional, e que só agora em janeiro tomou uma forma mais definitiva. Refiro-me à consolidação da mudança de atitude do Banco Central americano, que deixou de lado sua postura de acomodação para praticar uma política monetária muito mais ativa. Podemos ver até quatro elevações das taxas de juros neste ano, sem falar que haverá também um início de redução do tamanho do balanço do Fed a partir de maio. 

Os mercados financeiros internacionais resistiram, mas nessa semana, finalmente, admitiram que os juros subirão mesmo. 

Desse movimento podemos esperar duas consequências: o dólar irá valorizar frente às outras moedas e deveremos ver um ajuste para baixo dos preços dos ativos de risco, especialmente quando e onde a alavancagem for excessiva. 

Além disso, nos últimos dias consolidou-se nos Estados Unidos um movimento nos reguladores, tribunais e Congresso para rever o poder de mercado das grandes empresas de TI. Vai ser uma longa batalha, nos moldes da que ocorreu no passado na área de telefonia.

Se lembrarmos que nos últimos anos mais de 30% da elevação dos índices das Bolsas americanas deveu-se a um punhado de companhias da área, dá para perceber o que estará em jogo.

 ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

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