O apoio dos pais

Na semana passada, atendendo ao convite de uma escola, ministrei a palestra sobre o tema "Ansiedade da escolha", a respeito do questionamento inevitável de muitos jovens que estão prestes a terminar o ensino médio: que curso escolher. A rigor, seria voltada exclusivamente para esses alunos, no entanto, me deparei com uma plateia composta de estudantes na faixa dos 16 a 18 anos, alguns professores e na maioria pais.

Ruth Duarte, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h07

O público híbrido já sinaliza que o processo de escolha da carreira não apenas impacta a vida do vestibulando - legítimo protagonista da situação -, mas também daqueles que o rodeiam, os quais podemos considerar coadjuvantes imprescindíveis na escolha da carreira dos jovens.

A palestra era direcionada para alunos e suas expectativas: os diferentes cursos, sobre como explorar o universo de profissões, a necessidade da autorreflexão em relação aos seus interesses e competências, a importância e o caráter efêmero do mercado de trabalho, entre outras questões. Os pais representavam um quórum considerável e pareciam bastante preocupados a respeito de como agir diante de tanta vulnerabilidade que ronda o processo de escolha de seus filhos. Assim, resolvi também explorar o assunto neste artigo.

O vestibular é um rito de passagem (cruel sem dúvida), no qual o jovem se prepara para uma das escolhas mais importantes da sua vida: a sua futura carreira. É um momento quase clássico, onde ele se depara com a porta de saída da adolescência e, ato contínuo, com a porta de entrada na vida adulta.

Demanda uma reflexão sobre sua identidade pessoal, seu futuro profissional e seu papel na sociedade. Um ciclo um pouco perverso, muitas vezes prematuro, porém inevitável. Alguns já entram nesta fase acadêmica com suas afinidades e vocações definidas, mas boa parte encontra-se insegura quanto a esta decisão.

Em torno de todos gravita o mesmo padrão psicológico: insegurança, o medo do fracasso, competição, urgência, enfim, um tsunami de emoções.

Assim, o ritual do vestibular não passa incólume de uma alta carga de stress e insegurança, nem mesmo para quem faz uma escolha sem conflitos. Uma dose adequada de ansiedade é produtiva, porque os conduz ao movimento. Porém, tende a paralisá-los se vivenciada de forma exagerada e desajustada, deixando-os à mercê dos efeitos desse estado emocional. É aí que entra em cena a importância dos pais. É inegável que muitos têm suas expectativas em relação a seus filhos, porém devem estar cientes de que trata-se do futuro profissional e do propósito de um outro ser, absolutamente singular, sendo dele a exclusiva responsabilidade da escolha de sua carreira futura.

Como agir, então? Esta foi uma pergunta comum dos pais na referida palestra. A resposta: partilhar com seu filho este momento de decisão, aconselhando-o sem serem impositivos e dando acolhimento às suas inseguranças.

Algumas atitudes podem neutralizar tamanha carga emocional: incentivá-los à autorreflexão de suas habilidades e competências, estimulá-los a terem postura investigativa sobre o universo das profissões e conversarem com profissionais das áreas; auxiliá-los na análise das nuances e agilidade do mercado que podem alterar as perspectivas de determinadas profissões e fazerem surgir novas carreiras; a entender que fatores como modismo, retorno financeiro, status e idealização, embora relevantes em um processo de análise, podem se constituir verdadeiras armadilhas, se considerados como únicos determinantes para a escolha profissional.

Uma decisão fundamentada e consciente envolve todo este processo exploratório, e o alicerce familiar torna-se precioso. Uma atitude aberta, acolhedora e presente contribui para que o jovem enfrente com mais segurança essa etapa tão conflituosa. Por fim, é entender que o que vai garantir a permanência e o desenvolvimento da carreira são as atitudes que seu filho irá adotar ao longo de sua trajetória. Um simples kit básico: constante qualificação, postura proativa e boa dose de paixão em tudo que fizer. Vocês podem até não concordar com as escolhas do seu filho, no entanto, só há uma única via sensata a ser adotada: apoiem sempre. Feliz dias dos pais!!!

GERENTE DE CARREIRAS DO IBMEC/RJ

Tudo o que sabemos sobre:
Ruth Duarte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.