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O avanço dos direitos dos gays no mundo

Sexo entre gays é permitido pela lei em pelo menos 133 países, dos quais três dúzias permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou união equivalente

Economist.com, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 10h42

Poucos compreendem os meandros e reviravoltas do sistema jurídico americano. Mas sabemos o seguinte: os direitos dos gays têm avançado como uma força irresistível. No dia 6 de outubro a Suprema Corte rechaçou apelos contra decisões de tribunais legalizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo em cinco Estados. Graças a esse precedente, o número de Estados que reconhecem o casamento gay pode logo chegar a cerca de 35 dentre os 50 que formam os Estados Unidos. No próximo ano é possível que a Suprema Corte derrube as proibições estaduais remanescentes contra o casamento gay.

A vida dos homossexuais em boa parte do mundo melhorou no decorrer das duas gerações mais recentes. O sexo entre gays era ilegal até os anos 1960 na Grã-Bretanha, e até 2003 no Texas. A China tinha o hábito de enviar os homossexuais a campos de trabalhos forçados sem se preocupar em levá-los a julgamento. Agora, o sexo entre gays é permitido pela lei em pelo menos 133 países, dos quais três dúzias permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou união equivalente. Na maioria dos países ricos os casais gays podem morar juntos abertamente sem que seus vizinhos estranhem o fato. Na China, Japão, África do Sul e boa parte da América Latina, a vida dos gays é muito mais fácil do que jamais foi antes.

O que provocou essa súbita e bem-vinda mudança? Um fator acima de todos os demais: quanto mais os homossexuais assumiam abertamente sua orientação e saíam do armário, mais os heterossexuais começaram a perceber que tinham sobrinhas, médicos ou colegas de boliche que eram gays. A proporção de americanos que dizem ter um amigo, parente ou colega de trabalho homossexual triplicou desde 1985, passando de menos de 25% a 75%. A urbanização também ajudou. É muito mais fácil encontrar ambientes voltados para o público gay numa cidade grande repleta de anônimos do que ser o único homossexual de um vilarejo tradicional. Conforme o mundo se torna mais urbano, a zona de tolerância vai sem dúvida se expandir. A globalização também faz diferença. Graças à internet, os gays que moram em países onde são tratados como párias ou criminosos sabem agora da existência de um grande número de países onde eles seriam tratados como iguais. Para aqueles que exigem justiça, nada pode ser mais inspirador do que saber que outros já se envolveram na mesma luta - e tiveram sucesso.

Em alguns países, a luta pelos direitos dos gays mal começou. Cinco países ainda executam homossexuais; em outros 73 o sexo entre gays é considerado crime. No Irã e na Arábia Saudita, se um homossexual exigir direitos iguais, correrá o risco de ser enforcado ou apedrejado. Compreensivelmente, muitos preferem viver em segredo, ou, quando possível, mudar para um país mais tolerante. Alguns políticos, como o russo Vladimir Putin e o nigeriano Goodluck Jonathan, incitam o ódio contra os gays para desviar a atenção do eleitorado da corrupção e da inépcia de seus próprios governos. Mas, em boa parte do mundo, o cálculo político oposto é válido. O reconhecimento da igualdade de direitos para os gays é uma das poucas coisas que um governo pode fazer para agradar a muitos eleitores sem incorrer em nenhum custo. Assim, os direitos dos gays, que nada são além dos direitos humanos, devem ser difundidos ainda mais.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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