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O Banco Central critica veladamente a política econômica

Pela leitura do Relatório de Inflação, do Comitê de Política Monetária (Copom), ele poderia ser visto como uma crítica à ação do governo no que diz respeito à avaliação dos riscos. Mas mostra-se mais otimista do que o governo quando prevê inflação de 4,4% neste ano, que aumentaria para 4,9% em 2013.

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h08

O documento parte de hipóteses que são certamente sujeitas a dúvidas. Exemplos: a manutenção do preço da gasolina e do botijão de gás; a manutenção do superávit primário de 2011; o cenário internacional de crescimento medíocre nas economias maduras; a estabilidade de preços das commodities; a relativa estabilidade da taxa cambial; a redução, confirmada, da taxa Selic para 9%; e o viés deflacionário no cenário mundial, o que é favorável ao Brasil.

No entanto, o texto dá bastante espaço aos riscos que poderiam afetar as previsões e que, curiosamente, representam críticas indiretas à atuação recente do governo na política econômica.

O maior risco que o relatório reconhece vem do mercado do trabalho, por causa das negociações salariais, que atribuem peso excessivo à inflação passada, em detrimento da previsão de inflação. E ele já admite, também, que o aumento recente do salário mínimo tem impacto sobre a dinâmica dos outros salários. Como há pouca ociosidade de mão de obra e também falta de trabalhadores especializados, isso favorece a concessão de aumentos salariais acima da melhoria da produtividade.

Embora os últimos dados divulgados mostrem que o descompasso entre a evolução da demanda e da oferta esteja crescendo, o relatório considera que esse descompasso é decrescente. E parece considerar que a expansão da oferta de crédito tem alguma responsabilidade no aumento da demanda - justamente no dia seguinte em que o ministro da Fazenda, em encontro com banqueiros privados, lhes pedia para aumentar a oferta de crédito, e, aos bancos públicos, que reduzissem mais suas taxas de juros.

O relatório lembra que algumas medidas da política monetária que têm um efeito atrasado poderão alimentar as expectativas dos agentes econômicos, o que pode ser considerado como uma crítica à antiga diretoria do Banco Central.

Embora elogie a política fiscal, o Relatório de Inflação anota a falta de moderação na concessão de subsídios, que podem comprometer o cumprimento da meta de superávit primário.

Como se vê, o Banco Central, dentro de elevado espírito de colaboração, exibe delicadas críticas à condução da política econômica.

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