'O Banco do Brasil é um concorrente igual aos outros'

Intenção de conquista de mercado da Caixa deixa a instituição cada vez mais parecida com o BB, admite Jorge Hereda

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h10

Não é segredo para ninguém: ao resolver disputar mercado, a Caixa vai ficar cada vez mais parecida com o Banco do Brasil. "É um concorrente como qualquer outro", diz o presidente da Caixa, Jorge Hereda. Ao tentar galgar posições no mercado, o executivo afirma que não vai eleger um alvo específico, mas também não pode se dar ao luxo de eleger um adversário "café com leite".

De maneira geral, no entanto, o BB é uma instituição mais sofisticada do que a Caixa. Apesar de sofrer influência do governo, que ainda é o principal acionista, o banco tem de prestar contas ao mercado e aos acionistas, já que tem capital aberto - a recente política de corte juros foi acompanhada por uma desavalorização das ações da instituição.

Segundo Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Rating, o BB já tem uma presença relevante inclusive no exterior. "Acho que a Caixa é uma terceira via para o governo federal para a presença no setor bancário, que já se mostrou frutífera com o Banco do Brasil e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)."

Ao se aproximar do estilo do BB de adminsitração, a Caixa não ficará totalmente livre das amarras de seu passado. Embora tenha 70% do setor de crédito imobiliário no País por causa da influência do governo, alguns serviços sociais feitos pelo banco não combinam com um direcionamento totalmente voltado à rentabilidade.

Uma dessas obrigações é o pagamento do Bolsa Família a cerca de 13 milhões de brasileiros. Hereda admite que esta é uma operação que, embora seja remunerada, nunca vai dar o mesmo lucro do que os produtos tradiconais do banco, como conta-corrente ou financiamentos.

No fim das contas, Hereda admite que, por mais que se aproxime da concorrência, a Caixa nunca poderá ter uma mentalidade 100% de mercado. "Estamos preocupados com a eficiência, mas nunca poderemos ser exatamente igual aos outros. Há serviços sociais que precisam ser prestados."

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