Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘O banco me inferniza há 6 meses. Liga e manda SMS'

Oferta de crédito constante tem feito parte da rotina do empresário Eduardo Canjani

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 05h00

De seis meses para cá, a rotina do empresário Eduardo Camargo Canjani, diretor da Ciagraph, uma pequena indústria gráfica, inclui também atender a gerente do banco e dispensar o crédito que ela lhe oferece. “O banco está me infernizando, liga, manda SMS (mensagem de texto pelo telefone) e oferece qualquer crédito: capital de giro, investimento”, conta.

Em 23 anos de empresa, Canjani diz que nunca viu uma situação dessas: o banco correndo atrás das companhias para emprestar. “A coisa está muito fácil, a gerente está pedindo para eu fazer um empréstimo.” Até pouco tempo atrás, no auge da crise, o cenário era exatamente inverso. Quem batia à porta dos bancos, sem sucesso, eram os empresários.

Mas esse não foi o caso de Canjani. Ele conta que atravessou a crise sem entrar no vermelho e não precisou buscar socorro nos bancos. Ele tinha sobra de caixa, estava com o equipamento quitado. Optou, então, por enxugar o quadro de pessoal e ajustar a produção. Em 2016, a sua empresa, que produz catálogos, revistas promocionais, entre outros produtos para vários setores, estava a todo vapor. A companhia trabalhava em três turnos. Com a crise, a demanda caiu.

Hoje tem 52 funcionários e a empresa opera em dois turnos e com ociosidade na capacidade de produção. “Nem os dois turnos estão cheios.”

Neste mês, no entanto, Canjani notou uma procura maior por parte dos clientes. “A procura voltou a ficar forte como em 2016”, compara. E esse movimento está ocorrendo em vários setores atendidos pela companhia. Mas, mesmo com esse aquecimento, que ele não sabe se irá se consolidar, o empresário não está disposto a investir num equipamento novo tão cedo. Canjani lembra que este ano tem eleições. “Não vou me endividar agora porque não sei o que vai acontecer.”

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