O BC abriu espaço para uma queda forte do juro, segundo o Ibre

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O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2017 | 05h00

O conservadorismo do Banco Central no segundo semestre de 2016 "deu os frutos almejados, permitindo boa ancoragem das expectativas de inflação" e abrindo espaço para uma redução "em ritmo forte" da taxa básica de juro, segundo o Boletim Macro Ibre, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, que analisa as principais variáveis econômicas. No texto sobre política monetária, o economista José Júlio Senna enfatiza que, salvo um choque adverso significativo, "pode-se afirmar que 50 pontos (básicos) de queda viraram piso para o movimento de janeiro" - estimulando apostas de que o juro será reduzido de 75 pontos básicos, ou seja, dos atuais 13,75% ao ano para 13% ao ano.

A política monetária austera foi decisiva para reduzir a inflação, mas esse ponto positivo da gestão econômica contrasta com as perspectivas dos economistas do Ibre de lenta recuperação da atividade, o que se deve, em parte, à demorada "digestão do endividamento de empresas e famílias". 

Há uma profunda e disseminada deterioração dos fundamentos econômicos, segundo os responsáveis pelo boletim do Ibre. Embora os indicadores recentes registrem leve melhoria ou diminuição do ritmo de queda da atividade entre o primeiro e o segundo semestres de 2016, as projeções para 2017 são pouco alentadoras. Na comparação com 2016, o consumo das famílias sairá de -4% para zero; o consumo do governo, de -0,7% para -0,5%; e o investimento, de -10,4% para +0,1%. Pequenos ganhos virão da exportação (+2,2%) e da importação (+1,3%). 

O avanço estimado do PIB (0,3%) virá da agropecuária (+4,5%). A indústria crescerá apenas 1% e os serviços terão pequena queda (-0,1%, projeção idêntica à do comércio).

O déficit nas contas correntes do balanço de pagamentos, estimado em 1% do PIB em 2016, deverá aumentar para 1,8% do PIB em 2017. O cenário externo será "mais desafiador" na hipótese de aumento do custo de capital e de fortalecimento do dólar no governo Trump. Mas, ainda assim, o Brasil continuará em situação externa satisfatória.

O maior problema é que a recessão continuará presente no início de 2017. E não há consenso sobre a hora da virada. 

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