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O BC europeu se ajusta à retomada norte-americana

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, anunciou anteontem a redução da principal taxa de juros da região do euro, de 0,5% ao ano para 0,25% ao ano, ao mesmo tempo que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos estimava um crescimento anualizado de 2,8% no terceiro trimestre, acima do esperado. O BCE trata de acelerar o ajuste do sistema bancário europeu e estimular o crédito, enquanto o banco central americano (Fed) avalia se pode ou não adiar para 2014 o tapering - redução de facilidades monetárias e compra de US$ 85 bilhões/mês em títulos imobiliários.

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h04

O BCE está às voltas com o crescimento anêmico da economia europeia, inclusive a da Alemanha, cujo PIB deverá evoluir apenas 0,5% neste ano. Uma comparação entre Europa e Estados Unidos - economias de grandezas semelhantes - mostra que a recuperação americana é mais forte e chega ao setor imobiliário. O governo Obama teve de antecipar o ajuste fiscal, por causa dos embates políticos com o Partido Republicano, mas a economia reagiu bem. Não apenas não houve a recessão temida, como o ritmo de crescimento é surpreendente.

O BCE também surpreendeu. A recuperação norte-americana influenciou o câmbio. Após um início da semana em que o euro se valorizou em relação ao dólar, o que não interessa à Europa, anteontem, com a queda do juro do BCE, o euro depreciou-se ante a moeda americana. Draghi disse que a decisão de reduzir o juro nada tinha que ver com o câmbio. Não parece ser bem assim. Draghi não quer falar de câmbio, um assunto tabu para os responsáveis pela política econômica, ao contrário do que fazem, no Brasil, algumas autoridades.

A retomada norte-americana está atraindo mais recursos - de todo o mundo - para os Estados Unidos, onde aumentam as oportunidades de investimento e as ações sobem (o Dow Jones valorizou-se 3,62%, em 30 dias, até 6/11). A Europa tenta crescer mais para se tornar atrativa para os investidores.

Os efeitos sobre o Brasil são inevitáveis. Além da oscilação do valor dos ativos, poderá ser mais difícil tomar recursos no exterior ou será necessário pagar mais caro por eles, como ocorreu na mais recente emissão de papéis soberanos do Tesouro Nacional.

Uma saída para o Brasil passaria por emitir sinais mais claros de favorecimento do mercado, como explicava o ex-ministro Delfim Netto no jornal Valor da quinta-feira.

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