O BC parece contar com a desaceleração da economia

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juro em 0,25 ponto porcentual, de 10,5% ao ano para 10,75% ao ano, era esperada pelos agentes econômicos, o que facilitou a adoção dessa taxa. Mas há uma interpretação corrente no mercado de que a elevação da Selic ficou apenas na metade da adotada nas últimas reuniões (0,5 ponto porcentual) porque o Banco Central (BC) parece acreditar que o desaquecimento da economia completará o trabalho de controlar a inflação, evitando assim a necessidade de maiores aumentos do juro básico.

O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2014 | 02h05

O comunicado do Copom distribuído após a reunião de terça e quarta-feira não fechou as portas para novas altas da taxa básica. O texto repete que a decisão dá "prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013". O Banco Central foi prudente. A questão é saber se teria sido melhor, para a sua credibilidade, elevar mais um vez o juro em 0,5 ponto porcentual.

Nos últimos dez meses, o juro básico subiu 3,5 pontos porcentuais - abrindo espaço para a alta dos juros nas operações livres, ajudando a reduzir o ritmo da oferta de crédito.

Mas a inflação caiu relativamente pouco no período. O IPCA acumulado em 12 meses passou de 6,49% ao ano, em abril, para 5,59% ao ano, em janeiro - ou seja, cedeu 0,9 ponto porcentual, menos do que a alta da Selic. A inflação projetada para 2014 e 2015 continua acima das metas - 6% e 5,7%, respectivamente, segundo a pesquisa Focus.

Houve poucas críticas à deliberação do Copom, mas o ex-presidente do BC Gustavo Loyola notou que o maior risco para a inflação vem do câmbio, que o governo não controla. Já a economista Monica de Bolle, da Casa das Garças, acredita que o crescimento do PIB, neste ano, poderá ser semelhante ao de 2013 - acima, portanto, da média das projeções, de 1,67%, neste ano. Para o PIB crescer 2,3% ou mais, a demanda também terá de crescer, com o risco de mais inflação e, assim, estimulando novas elevações do juro.

Não há, por ora, a possibilidade de prever, com boa margem de segurança, se o juro básico voltará a subir na próxima reunião do Copom ou se será mantido nos 10,75% ao ano válidos desde ontem. Isso dependerá da inflação. Que terá como pressão adicional, em relação a 2013, um reajuste maior dos preços administrados. Com alta de 0,5 ponto, o BC teria mostrado vontade mais firme de usar a única arma de que o governo dispõe.

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