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O bitcoin rumo à Lua. Será que volta?

No ano passado a moeda virtual subiu 303% e, neste ano, já teve alta de 79%

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2021 | 05h00

Os defensores das moedas digitais estão comemorando muito e apostando no potencial de crescimento de preços em 2021. Após um ano terrível, os preços do bitcoin foram para as alturas. Em 2020 houve recuperação após a queda de vários anos, quebrando seu recorde de 2017 que foi perto de US$ 20 mil, e tornou-se algo parabólico desde então.

No ano passado o bitcoin subiu 303% e, desde o início de 2021, já está com crescimento de preços de 79%, ultrapassando a marca de US$ 52 mil, o que corresponde aproximadamente a R$ 283 mil. A moeda virtual ganhou forte impulso com a divulgação, no início de fevereiro, de que a fabricante de carros elétricos Tesla havia comprado US$ 1,5 bilhão em bitcoins. 

Segundo a empresa, esse investimento ocorreu para “garantir mais flexibilidade para diversificar e maximizar retornos no caixa”. Com a valorização da moeda virtual nos últimos dias a empresa do bilionário Elon Musk já ganhou mais de US$ 600 milhões.

O fato é que o bitcoin e outras criptomoedas entraram no radar de investidores profissionais e das empresas de capital aberto. As transformações digitais estão levando empresas e fintechs a utilizarem as tecnologias de criptomoedas e de blockchain em seus produtos e operações. 

Isso está levando analistas a acreditarem que há espaço para ganhos nessas moedas virtuais em 2021. A despeito da forte resiliência que o bitcoin mostrou em 2020 e de toda a força apresentada desde o início do ano, aplicar seu dinheiro nesse ativo ainda é mais especulação do que investimento. 

O risco desse ativo é muito grande. Para verificar isso, basta observar a subida de preços no ano passado, enquanto todos os outros ativos da economia sofreram muito e a recuperação de preços foi muito mais modesta. Apresentar em curto período ganhos acima de 300% não é novidade para o bitcoin, mas quedas drásticas também fazem parte da vida da criptomoeda. 

Temos de lembrar que há governos contra essas moedas e que bancos centrais ao redor do mundo estão se posicionando pela sua regulamentação. Inclusive com uma recente declaração da presidente do Banco Central Europeu, Cristine Lagarde, de que o bitcoin não é um ativo, precisa ser regulado em conjunto pelos países do G-20 e que a criptomoeda é usada por especuladores, para lavagem de dinheiro e gera bolhas. 

Essa declaração mostra que a vida das moedas virtuais pode não ter um caminho fácil. Repetindo algo já dito neste espaço, a forma como iremos manter reserva de valor e realizaremos transações acredito que serão totalmente transformadas no futuro.

Mas ainda não temos como acreditar que as criptomoedas irão conviver livremente, sem controles, ao lado das moedas fiduciárias, ou mesmo que potencialmente serão substitutas naturais do dinheiro como conhecemos hoje. 

Enfim, apostar em bitcoin é só para o investidor com viés de especulador. 

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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