O Brasil aparece bem no empreendedorismo

A taxa de empreendedorismo no Brasil subiu de 23%, em 2004, para 34,5%, em 2014, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, realizada no País pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP). O levantamento envolve quase 100 países que respondem por 90% do PIB mundial, e o Brasil aparece à frente de China (26,7%), dos EUA (20%), do Reino Unido (17%), do Japão (10,5%) e da Índia (10,2%).

O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h04

Três em cada 10 brasileiros com idades entre 18 e 64 anos já têm negócio próprio ou buscam criar uma empresa. E não é um efeito do desemprego crescente: os novos empreendedores vislumbram oportunidades e investem em ideias, com o capital que conseguiram reunir e disposição para o trabalho.

Como disse ao Estado (29/3) o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, o recorde de empreendedores no País vem junto com o aumento da formalização de empresas. Foi possível agregar mais empreendimentos conduzidos por mulheres e maior número de pessoas de renda média, cujo maior sonho - após a casa própria e viajar pelo País - é ter seu próprio negócio.

As regras tributárias deram alento ao empreendedorismo. Micro e pequenas empresas com receita anual de até R$ 3,6 milhões adotam o Supersimples e recolhem oito tributos federais, estaduais e municipais por meio de uma guia. A carga tributária razoável também ajudou.

Quando o Simples Nacional foi criado, em 1996, abrangia poucos ramos de atividade e o Fisco temia a queda da arrecadação. A desconfiança passou. O sistema foi ampliado e hoje abarca quase todos os serviços. Em 2014, ano de queda das receitas tributárias, houve alta de 7% na arrecadação. E as micro e pequenas empresas geraram 3,5 milhões de empregos entre 2011 e 2014.

A lição é clara: a redução da burocracia e da carga tributária contribuiu para estimular a iniciativa privada sem deprimir a arrecadação. A simplificação ajudou a coibir a sonegação. Empresas enquadradas no Supersimples e que ficaram inadimplentes são excluídas do sistema.

O vigor do empreendedorismo também se explica pela terceirização de serviços de suporte à atividade-fim de muitas empresas de porte. Isso permite economia de custos, evitando elevar a folha de pagamentos.

Calcula-se que 70% das micro e pequenas empresas sobrevivem após dois anos de atividade. A não interferência do governo foi decisiva para elas.

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