O Brasil, de exportador a importador de alumínio

A crise que afeta a indústria de transformação alcançou o setor de alumínio. Como ocorreu com outros manufaturados e semimanufaturados, de produtor o Brasil deve passar a importador de alumínio, o que não se registrava desde o início dos anos 90.

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2014 | 02h03

Em 2013, o setor ainda alcançou um superávit de US$ 110 milhões, um terço do registrado em 2012. Neste ano, porém, deverá ter déficit de US$ 610 milhões (importações de US$ 1,820 bilhão e exportações de US$ 1,210 bilhão), prevê a Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

A primeira explicação é a queda abrupta das cotações internacionais do alumínio primário, de US$ 3 mil a tonelada, em 2008, para US$ 1,7 mil/t, hoje. O segundo motivo é a alta da energia elétrica, que representa 55% do custo de produção. Empresas instaladas no País perdem competitividade e cortam pessoal.

A produção de alumínio primário este ano é estimada em 952 mil toneladas, 27% inferior à de 2013 (1,3 milhão de toneladas), pior desempenho em 24 anos. Várias fábricas já fecharam as portas, outras trabalham com grande capacidade ociosa e os investimentos mínguam, inclusive aqueles já programados há alguns anos. Em 2015, a produção poderá cair para 660 mil toneladas.

Para cortar custos e garantir o suprimento de energia elétrica, algumas indústrias investiram na autogeração, que poderia suprir 40% da produção. Mas, segundo o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, as empresas só podem retirar a preço de custo, para uso próprio, 10% da eletricidade que geram.

A situação pode piorar. Algumas empresas têm contratos antigos de fornecimento de eletricidade, com preços acessíveis. Mas, na renovação dos contratos, as tarifas subirão. E, sem recontratação, as empresas terão de recorrer ao mercado livre, com preços ainda mais altos.

A alta nas cotações do dólar poderá, se mantida, ajudar a exportação de alumínio, mas não a ponto de promover uma reversão do quadro atual, pois, enquanto cai a demanda interna, aumenta a agressividade dos concorrentes externos.

As previsões do início da década - investir US$ 19,8 bilhões em dez anos, gerar 47 mil empregos e tornar o Brasil um dos maiores produtores e exportadores do mundo - não vingaram, vítimas do câmbio, do custo Brasil e da energia cara. O País terá de decidir se quer ser um grande ator global em produtos de alumínio, agregando valor, ou se apenas exportará bauxita e alumina, das quais tem grandes reservas.

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