O Brasil entre a recessão e a estagnação

O Produto Interno Bruto (PIB) tende a crescer apenas 0,1% neste ano, depois de um trimestre (julho a setembro) de redução de 0,1%, segundo o Boletim Macro Ibre da FGV, de outubro. Desempenhos ruins nas áreas fiscal e externa, na política anti-inflacionária e no mercado de trabalho, além da queda dos investimentos e a impotência da política monetária, explicam por que "os indicadores das últimas semanas não têm dado razão para otimismo quanto ao desempenho econômico recente - e futuro, em uma perspectiva de curto e de médio prazo".

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2014 | 02h04

Além das incertezas decorrentes da "indefinição quanto à possível mudança de rumo na gerência da economia a partir de 1.º de janeiro", o boletim destaca a trajetória de queda da confiança empresarial, em razão da debilidade da demanda.

A análise do emprego é instigante, pois, embora o mercado de trabalho pareça estar bastante aquecido e em forte expansão, "uma análise mais cuidadosa mostra claros sinais de enfraquecimento".

Com dados do IBGE até agosto, a FGV mostra que a taxa de desemprego resulta da baixíssima desocupação, de 3%, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Excluída a área, haveria crescimento de 0,4 ponto porcentual na taxa de desemprego do País. O Rio também influenciou a alta do rendimento real, influenciada pela demanda de mão de obra para a Olimpíada e a reativação de investimentos em petróleo. Foi o aumento real da renda de 8,8% que permitiu elevar a renda nacional em 2,5%. Sem o Rio, cairia para 0,4%.

No plano fiscal, a deterioração não ocorreu apenas no governo central, mas nos Estados e municípios. "A situação fiscal desses governos merece atenção, em particular por causa das operações de crédito de grande porte aprovadas pelo Tesouro Nacional a governos cuja situação fiscal não é confortável".

Ainda mais grave, a piora fiscal não foi acompanhada de recuperação do investimento. Ao contrário, a FGV calcula que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 0,2% no terceiro trimestre e cairá 7,3% entre 2013 e 2014.

O cenário básico do Boletim Macro Ibre, assinado pelos economistas Régis Bonelli, Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos, confirma não só a estagnação presente, como as enormes dificuldades que se apresentarão neste fim de ano e em 2015. É um cenário que sintetiza os maus resultados da política econômica do governo Dilma - e o custo dessa herança para o próximo governo.

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