''O Brasil está certo em conter a alta do real''

A compra de dólares do Banco Central para o Fundo Soberano do Brasil (FSB) foi vista como algo inevitável pelo economista Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e cofundador do site Roubini Global Economics.

, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

"Talvez o real esteja forte demais, sobrevalorizado, e isso afeta a competitividade das exportações", afirmou à Agência Estado após jantar com economistas e analistas de mercado em Nova York. Segundo ele, não importa se a compra de dólares é feita de maneira direta ou não: "É tudo a mesma coisa. O BC está tentando conter maior apreciação (do real) para evitar excesso de liquidez para não ferir a economia. Éé algo que tinha que ser feito."

Otimismo com o Brasil. Em meio a tantas projeções nebulosas para a economia dos Estados Unidos, Europa e Japão, Roubini salientou, respondendo à uma pergunta da Agência Estado, que o "Brasil é uma das histórias de sucesso entre os emergentes" e está otimista, mesmo tendo ponderado que com uma maior desaceleração global, o crescimento do País deve ser "levemente menor" dos que os 7,5% estimados para este ano.

"Estou bem otimista em relação ao Brasil. É preciso dar crédito ao Lula , que fez a coisa certa", afirmou, citando os avanços no cenário macroeconômico, a autonomia do Banco Central no controle da inflação e o superávit primário como conquistas dos últimos anos.

Roubini observou, porém, que o Brasil precisa avançar em reformas, como a tributária e a trabalhista. "O cenário macroeconômico pode estar sólido, mas é preciso avanços na direção de reformas estruturais. Não temos visto praticamente nada nesse sentido", disse.

"A questão será saber se com o novo presidente do Brasil, que deve ser Dilma Rousseff, essas reformas serão postergadas ou não. Acho que isso é o fator chave para manter alto o crescimento do PIB. E é claro que será preciso ter cautela no lado fiscal, para não ser muito expansionista nos gastos", concluiu.

Duplo mergulho. Para Roubini, a zona do euro não terá duplo mergulho na recessão pelo fato de continuar em recessão: "O PIB está contraindo na Espanha, Grécia e Irlanda, enquanto dois outros países, Portugal e Itália, mal estão conseguindo crescer. Então, o que temos é uma continuação da primeira recessão da qual esses países não conseguiram sair."

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