Márcia de Chiara/Estadão
Márcia de Chiara/Estadão
Imagem Antônio Penteado Mendonça
Colunista
Antônio Penteado Mendonça
Conteúdo Exclusivo para Assinante

O Brasil está na contramão do mundo

Enquanto a maioria dos países apresenta um cenário de recuperação econômica, o Brasil segue no rumo de um crescimento pífio em 2021 e provável recessão em 2022

Antonio Penteado Mendonça, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2021 | 05h00

O mundo atingiu a marca de 5 milhões de mortos por covid-19. O país com mais óbitos é os Estados Unidos, com mais de 700 mil, seguido de perto pelo Brasil, com mais de 600 mil.

Este é o dado apavorante, o Brasil tem mais de 10% do total de óbitos por covid-19, mas não tem 4% da população mundial. É a prova do enorme equívoco cometido pelas autoridades federais durante boa parte da pandemia, pelo menos até o primeiro trimestre de 2021, quando a vacinação começou de fato a acontecer em números razoavelmente satisfatórios, levando, dez meses depois, a índices de imunização acima de 70% da população para os que tomaram a primeira dose, e de 50% para os totalmente imunizados, o que nos deixa, hoje, bem na comparação com o mundo. 

Seiscentos mil mortos é inaceitável, e a conta ainda não está fechada. Apesar disso, o drama social já está gravado no nosso cotidiano, mostrando claramente o estrago que políticas públicas de saúde sem qualquer base científica podem fazer numa sociedade. E esse é apenas um dos lados da moeda. Os outros – porque nossa moeda tem mais lados – também são dramáticos. 

Começam na situação de vulnerabilidade para a fome, prosseguem no desemprego altíssimo, avançam na inflação que não para de subir e se consolidam no câmbio cada vez mais desvalorizado do real frente ao dólar.

Os indicadores brasileiros estão na contramão do mundo. Enquanto a maioria dos países, apesar das dificuldades ainda enfrentadas, apresenta um cenário positivo, com as economias se recuperando consistentemente, o Brasil segue no rumo de um crescimento pífio em 2021 e uma provável recessão em 2022.

A pandemia ainda não acabou, e vários países estão experimentado novos picos de covid-19, mas, perto do que foi, as nações mais importantes já respiram aliviadas e retomam ou mesmo ultrapassam os patamares de crescimento de 2019. A consequência é a reabertura das fronteiras e a volta do turismo para as pessoas já completamente vacinadas.

Como a situação brasileira é mais complexa – a inflação não dá mostras de desaceleração, o dólar segue nas alturas, as atividades econômicas estão apresentando indicadores preocupantes e a pandemia com certeza não foi embora –, não é possível se imaginar um cenário amigável para os negócios em 2022. E isso vale também para o setor de seguros. 

A atividade seguradora funciona em ondas. Conhecidas por “mercado soft” e “mercado hard”, elas se alternam ciclicamente e barateiam e encarecem as apólices. Estamos entrando num momento “hard”, e isso complica o quadro. O preço dos seguros, em função da pandemia, das mudanças climáticas, do preço do resseguro e do reajuste das taxas em função da sinistralidade, deve subir de maneira geral, afetando todas as carteiras. 

Como a crise e o empobrecimento da nação já estão impactando negativamente a economia, o setor de seguros não deve esperar um ano muito bom em 2022.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.