'O Brasil já não é mais considerado a bola da vez', diz fundador da MIP Brasil Farma

Omilton Visconde Júnior não nasceu em berço de ouro, mas hoje não pode reclamar da vida. Construiu sua carreira e fortuna no setor farmacêutico, inspirado na história de vida de seu pai, Omilton Visconde, fundador da Biosintética.

Entrevista com

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h12

Primogênito, foi o único dos três filhos que seguiu os passos de seu pai, que trabalhou como propagandista farmacêutico e decidiu criar seu próprio laboratório, após sofrer um enfarte, para não depender mais de um patrão.

Nascido em 1963, em Bauru (SP), Visconde Jr. passou parte da infância em Ribeirão Preto (SP), depois seguiu com a família para São Paulo. Formou-se em administração e se deu muito bem nas áreas de marketing e financeira. Seus irmãos não seguiram o mesmo destino - são bem-sucedidos em outros negócios. Henri é proprietário da Eurobike, maior revendedora de carros de luxo no Brasil, e Marcel, o caçula, é importador da Porsche.

Visconde Jr. arrisca umas tacadas de golfe nas horas vagas e já foi piloto da categoria automobilística Porsche Cup, mas seu atual foco, além da MIP Brasil Farma, é restaurar uma fazenda de café, a Santa Cecília, que adquiriu na região de Ribeirão Preto.

Para Visconde Jr, o setor farmacêutico não vive mais um ciclo de ouro, como há três anos, quando um forte movimento de consolidação estimulou aquisições bilionárias, com a entrada de capital estrangeiro.

O Brasil não é mais considerado um país atraente para aquisições no setor farmacêutico?

OMILTON VISCONDE JÚNIOR - O País já foi considerado mais atraente, mas ainda tem uma importante relevância nesse setor. Apesar dos avanços, ainda há carência de programas de acesso a medicamentos.

O cenário nacional para 2014, com Copa do Mundo e eleições presidenciais, deverá reduzir o apetite para investimentos?

OMILTON VISCONDE JÚNIOR - Eu diria que o ano será desafiador. O cenário internacional mostra uma reorganização da economia norte-americana, com investimentos migrando dos países emergentes para os Estados Unidos, e o Brasil já não é mais considerado a bola da vez.

Como o senhor vê o cenário político para 2014?

OMILTON VISCONDE JÚNIOR - O que está claro para mim é a presidente Dilma Rousseff como forte candidata em 2014 e uma reorganização das forças da oposição, com a aliança de Eduardo Campos e Marina Silva. Não consigo imaginar ainda os efeitos políticos, mas o que vejo agora é uma força nova, com uma terceira via. Nos últimos anos, a disputa estava concentrada entre PT e PSDB.

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