O Brasil que o mundo vê e deseja

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Indústria calçadista investe em negócios para a conquista de novos mercados

HELENA TAROZZO, Especial para O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h11

A festa que o empresário Alexandre Birman deu com a revista Vogue em Paris, este mês, no apartamento da diretora de estilo da revista, Donata Meirelles, foi um dos pontos altos da última semana de moda na capital francesa. A socialite americana Paris Hilton, o fotógrafo peruano Mario Testino, a socialite italiana Giovana Battaglia, a blogueira russa Miroslava Duma marcaram presença no evento.

Dias antes da festa, Birman escolheu a dedo nove mulheres poderosas que usariam suas sandálias no evento, já apostando no marketing visual via redes sociais. Entre as preferidas, a top model Izabel Goulart.

Deu certo. Em pleno sábado, só o que se viu no Instagram (atualmente a principal vitrine da moda para o mundo) foi o badalado petit comité. Há algum tempo o presidente executivo da Arezzo&Co, empresa dona das marcas Schutz, Ana Capri, Arezzo e a marca que leva o nome de Birman, vem apostando nesse tipo de movimentação fora do Brasil.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Calçadista (Abicalçados), cerca de US$ 1,095 bilhão entrou no mercado nacional via mercado externo no último ano. Num cenário de alta do dólar, o mercado internacional torna-se atrativo à exportação. Mas a competitividade é acirrada. De um lado, há os baixos preços da China, de outro, os produtos europeus com qualidade e tradição e, em uma terceira frente, a expertise varejista dos Estados Unidos. Com isso, o Brasil procura se destacar de alguma maneira entre os gigantes, mesmo com o alto custo de produção, logística e inovação.

Olhar para o exterior. A marca homônima de Birman está no mercado internacional desde 2008. "Quando montei a Alexandre Birman, já tinha intenção de criar a marca brasileira de maior destaque internacional", afirma o empresário. Atualmente, seus sapatos estão à venda nas maiores butiques multimarcas do mundo, somando 80% do faturamento da grife. Birman preferiu não abrir filiais e passou a fazer showrooms em Paris, durante a semana de moda, para os quais convida a imprensa internacional e os compradores das grandes lojas.

Um outro exemplo de retorno de vendas no exterior é a Dumond, carro-chefe de sapatos femininos da Paquetá - The Shoe Company. O grupo a levou para o exterior em 2007 e apostou em um movimento de expansão em mercados consumidores em ascensão. Entre eles, o Oriente Médio, onde tem lojas próprias nos Emirados Árabes e Barhain. Além disso, seus produtos podem ser encontrados também em países como África do Sul, Egito, Mongólia e Rússia.

Hoje, o grupo tem 33 lojas no exterior, e vende 5 milhões de pares por mês. Em 2013, a marca gaúcha foi responsável pela produção terceirizada dos calçados da americana Tory Burch e dos esportivos da Adidas. Desde a década de 70, ela exporta para outras marcas e vem adquirindo know-how com esses compradores. Em 2013, faturou cerca de US$ 500 milhões apenas com a exportação da Dumond e das outras duas marcas próprias, a Capodarte e a Lilly's Closet. Para Gerson Vaccari, responsável pela operação das três marcas dentro do grupo, o sucesso está atribuído à capacidade de transmitir o conceito criativo da Dumond, "Com certeza um dos atributos mais importantes é a sensualidade do nosso sapato, que compete com a seriedade dos feitos lá fora."

Outro nome brasileiro com projeto de expansão é a paulista Carmen Steffens, com 22 franquias fora do País. Há 11 anos, a marca abriu sua primeira filial em Assunção, no Paraguai, e de lá para cá a expansão seguiu em ritmo intenso. "O empresário brasileiro hoje quer exportar porque o mercado interno está difícil", diz Mario Spaniol, fundador da grife, que já teve seus sapatos nos pés de celebridades como Paris Hilton e Maddona.

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