O Brasil recorre demais aos empréstimos externos

Ao contrário do que no início do ano se podia prever para 2011, o Brasil não deverá ter problemas com as contas externas. Segundo a previsão feita em maio, para cobrir um déficit das transações correntes de US$ 60 bilhões, o País disporá de US$ 87,4 bilhões. Os resultados alcançados até maio mostram que será fácil atingir esse objetivo.

, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

O aumento das exportações e, especialmente, do preço das commodities deu uma contribuição não prevista no início do ano para esse resultado. Porém outros fatores o consolidaram ao longo dos cinco primeiros meses do ano.

Dado este contexto, pode-se estranhar que até maio a dívida externa total tivesse aumentado US$ 37,498 bilhões - enquanto estamos pagando juros relativamente elevados sobre essa dívida - e nossas reservas internacionais, que também têm um custo elevado, tenham atingido US$ 333 bilhões no final de maio.

A dívida de curto prazo aumentou US$ 1 bilhão, enquanto a de médio e de longo prazos cresceu US$ 7,5 bilhões, sob o efeito das medidas recentes que tributaram as entradas de recursos externos de curto prazo, levando os investidores estrangeiros a substituir os aportes de curto prazo por operações de médio ou de longo prazos - substituição positiva em tese, embora acarrete uma elevação da taxa de juros.

No mesmo período, os Investimentos Estrangeiros Diretos líquidos, isto é, dos quais se deduzem os retornos dos investimentos anteriores, somaram US$ 26,9 bilhões (menos do que o aumento da dívida externa), e temos de considerar que as remessas de lucros e dividendos no período de cinco meses somaram US$ 15,3 bilhões, ante juros pagos sobre a dívida externa de US$ 6,9 bilhões.

A taxa de rolagem dos empréstimos de médio e de longo prazos foi de 521% em maio - de 468% para bônus, notes e comercial papers e de 589% para os empréstimos. Nos cinco primeiros meses, a taxa de rolagem foi de 498%. Houve, realmente, uma migração dos empréstimos de curto prazo para os de médio e de longo prazos depois da taxação de IOF de 6% sobre financiamentos de até 720 dias.

O Brasil usa os empréstimos externos para se livrar dos juros excessivos que os bancos nacionais exigem. Caberia verificar, todavia, se não estamos abusando desses empréstimos externos e se não conviria, por isso, reduzir os juros internos. Nesse sentido, parece-nos necessário dar atenção ao alerta do Banco para Compensações Internacionais (BIS) sobre o excesso de endividamento dos países emergentes nesta fase de prosperidade atraente que apresentam.

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