Suzie Howell/The New York Times - 9/5/2020
Suzie Howell/The New York Times - 9/5/2020

O Brasil tem o que é preciso para diversificar sua matriz energética

É esperado que novas tecnologias eólicas e suas ramificações estejam presentes em um país com notável potencial geográfico e financeiro

Lucas Martins*, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2022 | 04h00

As energias renováveis são a principal solução para revertermos a crise climática que desafia o planeta e, apesar de alguns governos atrasarem a revisão de suas matrizes energéticas, enquanto outros a aceleram, os parques eólicos offshore estão delineando uma nova tendência. Neste cenário, o Brasil passa a ter destaque no debate mundial, afinal é esperado que novas tecnologias eólicas e suas ramificações estejam presentes em um país com notável potencial geográfico e financeiro. 

Considerando a complexidade de implantação das plantas eólicas offshore, quanto mais preparados e amparados tecnicamente, maiores as chances de aprovação e celeridade nas operações. Em 2020, a indústria global recebeu US$ 303 bilhões em investimentos e, com o avanço da tecnologia, os custos de instalação reduziram 9%. No Brasil, os 22 projetos em fase de licenciamento ambiental têm 42 GW de potência, o que ultrapassaria a capacidade dos parques em terra, que geraram 19 GW no primeiro semestre de 2021. 

É natural que a abertura de um novo mercado traga desafios, mas é preciso considerar as enormes vantagens. Com mais de 8 mil quilômetros de área costeira e ventos de até 32 km/h, o Brasil tem o que é preciso para ocupar uma posição central de investimentos e diversificar sua matriz energética, além de trazer mais competitividade ao mercado mundial. Os desafios do mercado eólico offshore precisam ser vencidos.

O primeiro olhar é para as próprias condições climáticas e geográficas da região: é preciso compreender intimamente a caracterização do vento, das ondas, das correntes e do fundo do mar. Deve-se considerar ainda as especificidades de fauna e flora, sendo primordial a Avaliação de Impacto Ambiental. Outro ponto de atenção é a seleção de materiais para a produção da malha energética, a fim de que não apresentem falhas, comprometendo o planejamento financeiro e operacional.

Os procedimentos legais e administrativos também são um desafio. A legislação brasileira já contempla empreendimentos eólicos offshore, ainda assim, o Congresso Nacional avalia novo projeto de lei visando a um marco regulatório para o setor. Iniciativa urgente.

A energia eólica offshore já opera e sustenta diferentes nações. Não há razão para o Brasil ficar para trás nesse mercado nem para as iniciativas privadas do setor estarem receosas em acelerar os processos deste novo cenário. A transição energética é uma necessidade prioritária para a economia, para a perenidade de negócios e para a sustentabilidade do planeta.

*GERENTE DE ENERGIA & UTILIDADES DO BUREAU VERITAS

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