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O BRASILEIRO QUE ESTÁ NO SEU CHIP

Formado na Unicamp, Cristiano Amon é um dos principais responsáveis pelo crescimento da Qualcomm

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2013 | 02h15

O mineiro Hugo Barra despontou nos últimos anos como um dos maiores exemplos de brasileiro com carreira bem-sucedida no exterior. Hoje vice-presidente na fabricante de celulares chinesa Xiaomi, ele comandou no Google a expansão mundial do Android, o sistema operacional embarcado em mais da metade dos smartphones.

Mas não é só Hugo Barra que ergue a bandeira verde e amarela à frente de um dos setores que mais crescem globalmente. Cristiano Amon é um dos principais responsáveis pelo coração e cérebro do seu smartphone: o processador. Formado em engenharia elétrica pela Unicamp, o executivo é o copresidente mundial da unidade de semicondutores da Qualcomm, empresa que, pouco a pouco, tem se tornado mais conhecida do consumidor por conta de seus processadores estarem cada vez mais presentes nos celulares.

No fim do ano fiscal de 2012, a companhia atingiu a marca de 11 bilhões de chips enviados às fabricantes de dispositivos móveis.

O Snapdragon, como é chamado o chip da empresa, está em mais de mil aparelhos à venda hoje. Entre eles estão 610 Androids, como o Samsung Galaxy S4 e o Sony Xperia Z Ultra. Se a bateria dura mais, a câmera capta cenas em altíssima resolução e a experiência de jogar num pequeno aparelho fica mais sofisticada, a responsabilidade - invisível aos olhos do cliente - é do processador.

Aí está a importância de Amon: num mercado em que as mudanças são muito velozes, em que empresas passam de líderes a rebaixadas em poucos anos (como a BlackBerry), ele tem a missão de manter a inovação em ritmo superior.

"O ciclo de desenvolvimento de um chip, a contar da ideia até a entrega ao fabricante e posterior comercialização do aparelho, leva dois anos", diz o executivo. "Ou seja, você tem de trabalhar pensando o que será a indústria daqui a dois anos."

Entre as decisões mais acertadas do executivo ("junto dos colegas", ele diz) foi apostar muito antes do resto da indústria na transição do 3G para o 4G, segmento em que a Qualcomm é líder hoje, segundo o executivo. O chip do iPhone 5 que suporta a tecnologia de quarta geração, por exemplo, é da Qualcomm.

Outra bandeira que ele levanta é a da "democratização da tecnologia". Um exemplo dessa batalha seria o esforço para desenvolver chips de baixo custo que tenham boa capacidade de processamento, suportem banda larga e resultem em um smartphone de custo mais acessível para mercados emergentes.

Caminhada. Por essas e outras, Amon foi promovido diversas vezes na Qualcomm. Hoje, ele também ocupa o cargo de vice-presidente executivo do grupo - que engloba a divisão de semicondutores e o negócio de licenciamento de tecnologias.

Mas a carreira do executivo começou mesmo foi na NEC do Brasil, onde ele participou da primeira chamada de celular do País, no início dos anos 1990. Depois de ser transferido para a sede da empresa, no Japão, ele foi convidado para ser um dos primeiros funcionários da Qualcomm no Brasil, que o mandou para os EUA. Em território americano, ele passou ainda por Ericsson e Vesper até retornar à Qualcomm.

Além de Amon e Hugo Barra, há outros brasileiros dando as coordenadas em importantes empresas internacionais. No campo da tecnologia, o paulista Mike Krieger é outro nome. Ele fundou o Instagram, comprado pelo Facebook em 2012.

Segundo a empresa de recrutamento Michael Page, apenas nos últimos dois anos, quase 200 brasileiros foram para os EUA para assumir algum cargo de gestão.

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