O BTG saiu ganhando

Tirar a MPX de Eike Batista e passar a empresa de energia para os alemães da E.ON melhorou a posição do BTG Pactual frente ao colapso das empresas X. Cerca de 80% do que o banco de André Esteves tem a receber de Eike está na MPX.

O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h03

Com os novos donos, o risco de calote quase desapareceu. A mudança na operação para injetar dinheiro novo na MPX também é boa para o BTG, que está liderando a reestruturação do grupo. Em vez da oferta pública de ações anunciada em março, no valor de R$ 1,2 bilhão e garantia de compra do BTG ao preço de R$ 10 por ação, agora haverá um aumento de capital de R$ 800 milhões, ao preço de R$ 6,40 com participação dos sócios.

De acordo com estimativas internas, se entrar na capitalização o BTG precisará colocar no máximo R$ 200 milhões na operação.

Por meio de um fato relevante divulgado na última quinta-feira, a MPX informou ao mercado que Eike Batista renunciou ao cargo de presidente e membro do conselho de administração da empresa. Com a mudança, a MPX passa a ser controlada, na prática, pelos alemães da E.ON. Terá até um novo nome, para se desvincular de vez do grupo 'X'.

Sócia da empresa de energia de Eike desde o ano passado, com uma participação de 10%, a companhia alemã de energia aumentou sua fatia no negócio para 36% em março deste ano - alguns dias depois de o BTG ter fechado um acordo com Eike Batista. O banco de André Esteves presta uma espécie de consultoria financeira para o grupo X, com o objetivo de resgatá-lo da crise.

O Brasil está vivendo uma terceira onda na área de recrutamento de executivos. É o que costuma dizer o headhunter Luiz Valente, um dos precursores desse segmento no País. Formado em engenharia de produção e administração, ele integrou a equipe pioneira da consultoria Michael Page no Brasil e, em 2006, trouxe a Hays para o mercado brasileiro. Valente começou numa salinha de 15 m² e deixou a empresa em 2012, com 150 funcionários, escritórios em quatro cidades, elevando a filial brasileira à quinta maior operação da Hays no mundo. Em março, ele começou outra empreitada: abriu a Talenses, uma empresa de recrutamento sediada em São Paulo, mas que tem a ambição de se tornar uma multinacional.

O que é a terceira onda?

Para entender o que está acontecendo agora é preciso olhar para trás. O primeiro ciclo na área de recrutamento começou na década de 80, com a vinda de empresas especializadas na seleção de altos executivos. Depois, no fim da década de 90 e início dos anos 2000, chegaram as companhias interessadas no nível intermediário, gerencial. Agora, os profissionais brasileiros que se desenvolveram nessas empresas começaram a empreender. Como a Talenses, existem outras.

Qual a motivação?

Oferecer um serviço mais adequado ao mercado brasileiro e às necessidades locais. Em algum momento, as multinacionais deixam de ter como foco o atendimento em si e, pressionadas pelas matrizes, passam a priorizar os resultados.

Onde vocês pretendem chegar?

Nascemos com a intenção de acompanhar nossos clientes e, por isso, temos planos de ser, dentro de sete anos, uma multinacional. Hoje temos uma estrutura de 20 pessoas, mas já atendemos empresas relevantes como Johnson&Johnson, Serasa Experian e Alpargatas.

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