SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO
Elisangela trocou o supermercado pelo atacarejo para economizar SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO

O carrinho do supermercado já não é mais o mesmo

O carrinho de supermercado encolheu pela primeira vez no ano passado e voltou a ser do tamanho de 2010. Em 2015, o consumidor levou para casa um quantidade 2% menor de itens básicos, entre alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza, em comparação com o ano anterior. Essa queda interrompeu sete anos consecutivos de crescimento no consumo de uma cesta com 96 categorias de itens básicos. Em valor, o desembolso por essa cesta ficou estável. Isso significa uma perda real de quase 10%, que foi a inflação acumulada no período. “Foi efetivamente a primeira vez que andamos para trás”, diz Christine Pereira, diretora comercial da consultoria Kantar Worldpanel.

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2016 | 05h00

Desde 2008, ano após ano, o consumo não parava de crescer: o brasileiro ganhava mais e comprava em quantidade maior. Esse ciclo foi interrompido no ano passado. Em 2015, a inflação com alimentos e bebidas atingiu 12,03% e superou a inflação geral de 10,67%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A perda de renda foi tão brusca que atingiu até o produto símbolo do Plano Real e da ascensão da classe C: o iogurte. No ano passado, as quantidades vendidas caíram 2,6% em relação a 2014. Foi a primeira retração da série de vendas apurada pela consultoria Nielsen desde 2005. “O iogurte, ano após ano, era o produto top dez em taxa de crescimento”, aponta Daniela Spinha de Toledo, diretora de varejo da Nielsen.

Até reduzir o volume de compras, o brasileiro diminuiu gastos com lazer, optou por embalagens econômicas, trocou marcas caras por baratas e foi às compras no atacarejo, lojas que misturam o atacado com o varejo com apelo de preço baixo. A motorista Elisangela Oliveira, de 37 anos, fez isso. Uma vez por mês ela compra itens básicos nesse tipo de loja e gasta R$ 200. “Se fosse num supermercado desembolsaria R$ 280.” 

Mais conteúdo sobre:
Nielsen

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.