ISAIAH J. DOWNING/REUTERS
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O céu não é o limite

Agora há a possibilidade de visitar, comercializar e investir no espaço

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2021 | 04h00

O espaço sideral sempre atraiu os humanos. Mas, agora, além da curiosidade pelo desconhecido, estamos voltados com as possibilidades de visitar, comercializar e investir no espaço. Viajar para o espaço não é para qualquer um, demanda boas condições físicas, boa dose de coragem e muito dinheiro. Mas investir no espaço já está sendo possível. 

Essa indústria está atraindo altos volumes de financiamento privado devido aos grandes avanços tecnológicos e crescente interesse do setor público. Segundo dados da Business Wire, somente no mercado global de turismo espacial foram gastos US$651 milhões no ano de 2020, sendo que as projeções para o setor são de crescimento acima de 15% ao ano, devendo atingir a US$1,7 bilhão em 2027. 

No entanto, quando se fala em investimentos no espaço, não se pensa somente nas empresas que irão levar pessoas ao espaço, mas também em toda a indústria relacionada, como empresas de satélites de banda larga, serviços terrestres ligados ao setor, serviços de observação, telecomunicações, equipamentos, lançamentos de satélites, entre outros. Envolve os setores aeroespacial, defesa, hardware, telecom, turismo. 

Segundo o Morgan Stanley, estima-se que a indústria espacial global deve gerar receitas de mais de US$ 1 trilhão em 2040, ante US$ 350 bilhões, atualmente. No exterior existe um índice dedicado ao acompanhamento da indústria espacial global, o S-Network Space Index. 

Os investidores que desejarem investir nessa área têm à sua disposição o Procure Space ETF, um fundo de índice que recebe na Nasdaq a sugestiva sigla de UFO (objeto voador não identificado, em inglês), que tem como objetivo replicar S-Network Space, índice dedicado a acompanhar as empresas do setor. O UFO é composto pelas ações de 38 empresas, muitas delas bastantes conhecidas como ViaSat, Garmin, Globalstar e Virgin Galactic.

Esse ETF apresentou um retorno de mais de 39% nos últimos 12 meses. Mas estão de fora empresas que têm chamado muito a atenção como a SpaceX e a Blue Origin, companhias ainda fechadas que estão numa corrida bilionária rumo ao espaço. 

A Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, criador da Amazon, já faturou quase US$ 100 milhões em passagens privadas ao espaço. A SpaceX empresa de Elon Musk, dono também da Tesla, foi contratada pela Nasa para sua missão lunar tripulada. No exterior há outros fundos dedicados a esse tipo de investimento, como o ARK Space Exploration & Innovation ETF. 

Quem quiser investir no setor sem sair do Brasil pode investir em empresas de telecomunicações brasileiras, sendo que a única que opera com satélites é a Telebras. Por outro lado, podem ser comprados BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são certificados correspondentes a ações de empresas estrangeiras, mas vendidos na bolsa brasileira. Na relação à disposição do investidor brasileiro podemos encontrar Garmin, Honeywell, Raytheon, Lookheed. 

O nosso olhar para o céu não é mais para observar somente sua beleza, mas também para obter retornos.

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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