O comércio varejista cresce com ritmo menor

O aumento de 4,3% nas vendas do comércio varejista, em 2013 - quase a metade dos 8,4% de 2012 -, mostra um consumo ainda elevado, mas com tendência de declínio, mais compatível com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, entre 1,5% e 2%, como já preveem algumas consultorias econômicas.

O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 02h06

Dezembro, em especial, com queda de 0,2% no varejo restrito e de 1,5% no varejo amplo (que inclui veículos, peças e construção civil), em relação a novembro, apresentou um resultado muito inferior ao esperado, mostra a Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem.

Entre 2012 e 2013, o ritmo das vendas de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caiu abruptamente - de 8,4% para 1,9% (neste caso, abaixo da média). Na mesma base de comparação, o faturamento do setor de livros, jornais, revistas e papelaria foi de 5,4% para 2,6% e o de veículos, motos, partes e peças registrou o pior dos resultados entre os dez segmentos analisados, passando de +7,3% para apenas +1,5%. Os incentivos fiscais não bastaram para elevar as vendas.

Não há, repita-se, a ameaça iminente de recessão no comércio varejista. Mas a oferta mais comedida de crédito, aliada ao crescimento mais contido dos rendimentos reais e da população ocupada, além da inflação, impõe um ritmo mais fraco ao varejo, segundo a economista-chefe da consultoria Rosenberg & Associados, Thaís Zara.

O comportamento do comércio varejista tem, assim, tudo que ver com o desempenho econômico anêmico. O varejo é, ainda, um baluarte da política econômica, sustentado pelo crédito ao consumo, mas cada vez menos pujante. Em dezembro, até a aquisição de remédios (parte do item artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos) recuou 1,2% em relação a novembro.

As projeções para este ano apontam, mais do que uma acomodação, um novo declínio das vendas varejistas, que passariam de 4,3% de 2013 para 4%, avalia a consultoria LCA. Já a consultoria Nobel registra como fato positivo a maior capacidade da indústria de atender à demanda interna, pois diminuiu a diferença entre a evolução da produção industrial e a evolução do varejo.

É provável que se consolide uma acomodação do ritmo de atividade do varejo neste ano, ficando para 2015 a definição sobre o impacto do provável aperto das contas fiscais.

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