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O crédito aumenta, mas muito moderadamente

O Banco Central (BC) destacou ontem, em sua nota sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro, que o mês de março fechou com um saldo de R$ 2,76 trilhões de créditos do sistema financeiro - aumento de 1% sobre fevereiro e de 13,7% em 12 meses. Um pouco mais da metade da carteira total, 54,5%, ou R$ 1.503 trilhões, refere-se a empréstimos com recursos livres. Já a relação crédito/PIB ficou em 55,9%, ante 55,8% em fevereiro e 54,1% em março do ano passado.

O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2014 | 02h11

Essa evolução suave mostra que a economia brasileira continua usando pouco o crédito como motor do PIB. A relação crédito/PIB costuma ser bem maior em economias de porte semelhante a nossa.

Um outro aspecto desfavorável é que a expansão do crédito no Brasil, pelo menos nos anos recentes, tem sido mais pronunciada no crédito para consumo do que para investimento, embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebata essa afirmação e procure mostrar que a evolução dos investimentos nos últimos anos a desmente.

Todavia, ele mesmo afirmava ontem a sua fé no crédito para o consumo, dizendo que "tão logo" haja uma retomada dessa modalidade de crédito "teremos um avanço do mercado interno". Diz isso porque, embora o crédito seja o lubrificante principal das atividades econômicas, o problema é que, ao primeiro sinal de retração da economia, o sistema financeiro torna-se mais esquivo, exigente e prudente, e as carteiras de crédito tendem a se retrair mais ainda.

Um pouco é o que temos no momento. A oferta de crédito ao consumo foi exagerada em anos anteriores, e de fato ajudou na expansão de muitos setores da economia. Mas o consumidor, mormente o emergente, cujas pretensões foram alimentadas pela fartura de crédito, por mercadorias desoneradas de tributos e por avanços na renda real, encontra-se agora, digamos, abastecido. Passa a encarar, portanto, com maior prudência, o cenário de elevação dos juros, de eliminação das desonerações fiscais, de estabilização na renda real, de informações pouco animadoras sobre criação de empregos e, realisticamente, raciocina que talvez seja hora da tal "parada para arrumação".

A locomotiva da economia, a indústria automotiva, é a primeira a entrar no desvio de rota do consumo: suas vendas caem e o crédito para veículos - com recuo de 1% no mês e 1,5% em 12 meses - é o ponto fora da curva na nota do BC.

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