O crédito deve crescer menos do que a inflação

O saldo das operações de crédito cresceu 0,7% entre julho e agosto, para R$ 3,13 trilhões, e 9,6% em 12 meses, segundo o Banco Central (BC). Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito atingiu 54,5% em julho e 54,6% em agosto, o que significa uma variação ínfima num período de recessão da economia, em que o PIB em valores correntes avançou apenas 0,5% no mês.

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2015 | 02h05

A oferta de crédito deverá crescer 9% neste ano, em termos nominais, porcentual ligeiramente inferior ao do crescimento dos preços (9,3%), previu o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. O ritmo de expansão estimado é considerado por Maciel "natural e salutar", pois o crédito avançou mais depressa nos últimos anos: 31% em 2008, 20% em 2010, 16% em 2012 e 11% no ano passado. Mas revela que o crédito não contribuirá para a reativação da economia.

Não só a inflação distorce os dados nominais da oferta de crédito, mas também a desvalorização da moeda. Convertidos para o real, os empréstimos em dólar puxam os dados do crédito em instituições como o BNDES, cujo estoque cresceu 13,7% nos últimos 12 meses nas operações com pessoas jurídicas. Sem a depreciação do real, não teria havido expansão do crédito do BNDES, segundo o BC. O efeito do dólar sobre os empréstimos é indicação de maior aperto para as empresas, cujo endividamento aumentou por essa razão. É um problema não apenas para companhias como Petrobrás e Vale. As dívidas em dólares são estimadas em US$ 270 bilhões pelo economista Marcio Garcia, da PUC-Rio.

Com o novo aumento de juros, de 0,6 ponto porcentual entre julho e agosto e de 5 pontos porcentuais em 12 meses, na média, os tomadores procuram mais o crédito direcionado, cujos saldos em 12 meses cresceram 14,7%, quase três vezes a alta do crédito com recursos livres (+5,2%). O custo médio do crédito direcionado foi de 10,2% ao ano em agosto e o livre, de 45,3%. O direcionado já corresponde a quase a metade da oferta de crédito (48,9%), enquanto cai o peso do crédito livre (51,1%).

E, como o crédito direcionado depende mais dos bancos públicos, estes continuam tendo participação cada vez maior no sistema: 55,5%, cabendo 44,5% aos bancos privados nacionais e estrangeiros. Nos últimos 12 meses, pelos cálculos do BC, o crédito nos bancos oficiais aumentou 14,3%, enquanto nos estrangeiros a alta foi de 7,4% e nos nacionais privados, de apenas 2,9%.

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