O crédito em ritmo de recessão econômica

Endividamento crescente das pessoas físicas, renegociações de dívidas acentuadas e aumento da inadimplência marcaram mais uma nova desaceleração do crédito: em setembro, o saldo total das operações (R$ 3,16 trilhões) cresceu apenas 0,8% em relação a agosto e 9,1% em 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores. A evolução do crédito foi negativa em termos reais, por causa da inflação de 9,49% no mesmo período. Já as concessões de crédito evoluíram 4% no mês, mas caíram 0,9% em 12 meses.

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2015 | 02h55

Juros elevados e critérios rígidos de seletividade já bastariam para afastar os clientes das operações. Mas estes tampouco estão dispostos a tomar crédito. As empresas adiam planos de investimento e as famílias que se endividaram para comprar a casa própria hoje cuidam de reequilibrar o orçamento.

O crédito, aos poucos, destina-se mais para situações de emergência. As concessões de crédito para empresas aumentaram 10,9% entre agosto e setembro, o que provavelmente se explica pela premência por capital de giro em decorrência da falta de vendas. Em alguns casos, trata-se de manter estoques para a eventualidade de melhora das vendas natalinas.

No crédito direcionado, em que as taxas de juros são mais baixas, as operações declinam por causa da falta de recursos nas cadernetas de poupança e do freio do BNDES. As concessões a pessoas físicas de financiamento imobiliário com taxas reguladas caíram 4,6% no mês e 9,3% em 12 meses. Neste caso, é melhor o comportamento do crédito a taxas de mercado, bem mais altas.

No mercado de crédito total, os juros médios são de 20,4% ao ano para pessoas jurídicas e de 37,4% ao ano para físicas. Mas no segmento de taxas livres esses juros são, respectivamente, de 29,3% e de 62,3% ao ano. A enorme diferença que favorece os tomadores de crédito direcionado é uma distorção. As taxas médias aplicadas às pessoas físicas sofrem alguma influência das operações de cheque especial e rotativo do cartão de crédito, com custos anuais de 263,7% e de 414,3%.

O volume de renegociações de dívida de pessoas físicas cresceu 1,7% no mês e 14,1% em 12 meses, atingindo R$ 24,8 bilhões. No ano a alta foi de 13,4%, quase R$ 3 bilhões. E o endividamento das famílias (relação entre o saldo das dívidas e a renda em 12 meses) chegou a 46%, leve acréscimo em relação a agosto.

O aperto creditício agrava a recessão. E, pior, não há sinais de mudança nesse quadro.

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