O crescimento dos EUA é benéfico para o Brasil

A economia norte-americana registrou comportamento favorável no bimestre outubro/novembro, confirmando a recuperação e antecipando um ritmo de crescimento do PIB da ordem de 3% no ano que vem. Houve aumento dos gastos dos consumidores e melhora do emprego, segundo o Livro Bege do Fed, o banco central dos Estados Unidos. O estudo é mais otimista que o anterior, de outubro.

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2014 | 02h03

Publicado oito vezes por ano, o Livro Bege reúne as análises dos 12 distritos regionais do Fed - Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, Saint Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e São Francisco. O trabalho ajuda a embasar as decisões do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), com reunião marcada para os dias 16 e 17 próximos.

A recuperação da economia norte-americana é generalizada. Em Boston, por exemplo, 8 de 10 informantes notaram a recuperação industrial. Em Nova York, o mercado de trabalho é forte e o turismo se destaca. Em Chicago, a perspectiva de um inverno severo estimula o varejo. Em São Francisco, as atividades imobiliárias cresceram e os preços subiram nas áreas urbanas.

Por seu porte, a economia norte-americana compensa as dificuldades enfrentadas na União Europeia. Quinta-feira, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB para o triênio 2014/2016 e admitiu novas medidas de relaxamento monetário.

A queda dos preços do petróleo no mercado global - de 37,9% no ano e de 15,6% em 30 dias, até 3/12 - beneficiou prontamente os consumidores norte-americanos. E o que estes economizaram em gasolina gastaram em outros itens, como vestuário apropriado para a temporada de frio intenso. Mas o aumento da demanda não se limitou a esse setor, chegando à tecnologia de informação, serviços financeiros, manufatura, construção, transporte, lazer e hotelaria. A procura por mão de obra cresceu tanto que, em distritos como Kansas City e Dallas, as empresas tiveram dificuldades para manter o pessoal qualificado.

Não só o mundo, mas o Brasil ganha com a retomada americana. Os Estados Unidos importam mais do Brasil - e, neste caso, mais manufaturados do que commodities, cujos preços caem. O pior da recuperação americana é a perspectiva de que o juro básico do Fed volte a subir, o que só se prevê para meados de 2015, quando se espera que o Brasil já esteja fazendo a lição de casa.

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