O custo elevado de rolar a dívida pública

Com uma emissão recordista de títulos da dívida pública, de R$ 147 bilhões, em março, o Tesouro aproveitou o interesse dos investidores para promover a rolagem dos vultosos vencimentos do início deste ano. O preço pago foi o atendimento da demanda: houve aumento do custo médio da dívida, acumulado em 12 meses, de 12,62% ao ano, em fevereiro, para 13,82%, no mês passado. E o estoque da dívida cresceu 4,79%, de R$ 2,329 trilhões para R$ 2,441 trilhões.

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2015 | 02h04

Os maiores aplicadores foram as entidades de previdência (que já detêm 18,25% da dívida), de R$ 384,5 bilhões, em fevereiro, para R$ 425 bilhões, em março. Com o crescimento mais lento da captação, os fundos de investimento diminuíram sua participação de 20,37% para 19,8%, no mês, enquanto as instituições financeiras, os maiores aplicadores, reduziam o peso de 27,75% para 27,39%. A maior participação dos fundos de previdência favoreceu uma pequena elevação do prazo médio da dívida (de 4,54 anos, em fevereiro, para 4,59 anos, em março) e um pequeno recuo da dívida que vencerá nos próximos 12 meses, de 26% do total, em fevereiro, para 25,36%, em março.

Segundo o Tesouro, a demanda por papéis federais continuou elevada em abril. É uma boa notícia, pois em 2014 o governo teve dificuldades de colocar papéis. Agora, a opção deverá ser a de colocar menos títulos, disse o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Fernando Garrido. "A emissão de abril já foi menor e isso deve se verificar ao longo do ano", declarou.

O aumento da dívida pública foi centrado na colocação de títulos prefixados, cuja emissão líquida atingiu R$ 68,7 bilhões. A política do Tesouro privilegia a venda desses papéis. Mas, numa conjuntura marcada por inflação alta, o custo de colocação é elevado. De qualquer forma, o interesse por papéis prefixados parece indicar que os aplicadores já incorporam a perspectiva de que a inflação tenderá a cair, como preveem instituições consultadas para o boletim Focus, do Banco Central. A consequência será a rentabilidade real elevada dos papéis.

Em março, venceram R$ 70,6 bilhões em papéis corrigidos pela Selic, mas o Tesouro vendeu quase R$ 67 bilhões, ou seja, houve um resgate líquido de R$ 3,9 bilhões.

Um fato positivo é o aumento do interesse por papéis do Tesouro Direto, destinado a pequenos aplicadores: a colocação líquida, em março, foi de R$ 1 bilhão, muito superior aos resgates.

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