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O declínio esperado do setor de serviços

O setor de serviços depende do comportamento da indústria, do comércio e do agronegócio. Portanto, com o enfraquecimento da produção industrial e das vendas do comércio varejista, o recuo do setor terciário - verificado em quase todo o ano passado - era não apenas esperado, mas praticamente inevitável. A surpresa foi a intensidade da queda: os dados de novembro, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que houve crescimento nominal da receita de apenas 3,7% em relação a novembro de 2013, o que significa um forte declínio real, pois a inflação no período foi de 6,56%.

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2015 | 02h04

A indústria, o comércio e o governo "estão cortando custos e demandando menos serviços", explicou o responsável pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, Roberto Saldanha. Entre os que mais demandam serviços, as famílias "estão mais seletivas", acrescentou. É o resultado da inflação renitente que corrói a renda das famílias e, em consequência, as receitas do setor de serviços.

A evolução da receita nominal de serviços declinou ininterruptamente desde fevereiro do ano passado, quando crescia à taxa anual de 9,8% - chegou a 6,2% em novembro. Se a queda continuar, como se supõe, enquanto os preços se aceleram, na média, o setor de serviços tende a passar da estagnação para a recessão nos próximos meses. Os especialistas já consideram que os dados de novembro do setor contribuirão para a retração do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre.

Os itens que mais pesam na PMS são os serviços profissionais, administrativos e complementares (cuja receita evoluiu 6,6% entre os meses de novembro de 2013 e de 2014) e transportes, serviços auxiliares de transportes e correio (cuja receita subiu apenas 3,9%, na mesma base de comparação).

Em termos regionais, houve declínio das receitas nominais do setor no Amapá, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a receita cresceu menos do que a média nacional.

Com um peso de mais de 2/3 na economia brasileira, os serviços geraram 476 mil vagas formais em 2014 - em geral, de baixa qualificação. Mas, na indústria, cujos trabalhadores recebem melhores salários e são, portanto, consumidores de serviços, foram suprimidos quase 164 mil postos. Assim, é provável maior queda na demanda de mão de obra do setor terciário.

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