O déficit em conta corrente visto pela pré-candidata

A jornalista Claudia Safatle, do jornal Valor Econômico, conseguiu obter da pré-candidata Dilma Rousseff algumas opiniões sobre um problema concreto da economia: o do crescimento do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos - que inquieta muitos analistas e não estimula estrangeiros que queiram investir no Brasil.

, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Com base no último relatório do Banco Credit Suisse, a ex-ministra assevera que não haverá crise nas contas externas nos próximos dois anos. Mesmo assim, "nós não ficaremos imobilizados", diz ela. "Faremos uma política agressiva de fomento às exportações de commodities e de produtos manufaturados." Essa agressividade será marcada, na visão dela, não só por desonerações fiscais, mas pela proteção dos interesses brasileiros no que se refere à concorrência e agilidade na devolução de créditos tributários aos exportadores.

Seriam medidas sensatas e que trariam uma ruptura com as do seu patrono político que, de modo geral, fomentou agressivamente sim, mas as importações, por meio do câmbio, de um lado, e de juros elevados de outro - sem falar do peso fiscal que as exportações carregam.

Seria o caso de perguntar por que tais medidas ainda não foram adotadas, uma vez que Dilma teve bastante destaque - digamos - ao longo de todo o atual governo.

Mencionado que a crise da dívida externa dos anos 80 e os sérios problemas cambiais de 1998 e 2002 tornam os investidores extremamente sensíveis a uma potencial vulnerabilidade externa do Brasil, Dilma reconhece que "temos de tomar medidas para reduzir a nossa necessidade de financiamento externo".

Isso se a poupança interna recebesse mais estímulo do que o consumo - o contrário do que se fez no governo Lula - e os juros dos empréstimos internos fossem toleráveis. As empresas brasileiras buscam empréstimos lá fora porque aqui dentro a poupança é insuficiente e os juros são extorsivos.

O que explica, em parte, que a expansão dos empréstimos externos para o setor produtivo brasileiro em 2009, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), tenha sido a maior do mundo: US$ 22,9 bilhões (US$ 3,3 bilhões só em março) - lembrando-se que empréstimos geram pagamento de juros, que aumentam o déficit em transações correntes e a dívida pública, cuja rolagem, em março, chegou a 102%.

Aumentos do déficit em transações correntes e da inflação costumam caminhar juntos, como já ocorre. Mas o da inflação pode também não estar preocupando...

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