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O desafio da inflação no último trimestre do ano

Terá o presidente do Banco Central (BC) a obrigação de explicar num relatório por que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 ultrapassou o teto da metade 6,50%? É o que indagam muitos economistas, diante da evolução do cenário do quarto trimestre do ano. Embora o BC se mostre seguro de que a inflação ficará dentro do intervalo fixado pelo Conselho Monetário, a opinião majoritária é de que ela terminará o ano ligeiramente acima do teto fixado.

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h05

Na última edição da pesquisa Focus, do mercado, a previsão para o final do ano é de um aumento do IPCA de 6,52%, já acima do teto, enquanto quatro semanas atrás era de 6,46%.

As projeções do IPCA-15, que será divulgado hoje, dão conta de que, pela primeira vez desde agosto de 2010, a inflação em 12 meses apresentará um recuo, com uma mediana de 7,15%. A dúvida é como evoluirá nos próximos meses.

As estimativas para o IPCA-15 de outubro variam de um mínimo de 0,37% para um máximo de 0,50% e uma mediana de 0,45%. A Rosenberg e Associados calcula que a taxa mensal do IPCA até o final do ano não poderá passar de 0,48%, para que o acumulado fique em 6,50%.

Trata-se de um resultado muito apertado, que vai depender de uma série de fatores muito difíceis de avaliar no momento. O primeiro e mais importante, neste período do ano, é a taxa cambial, que o comércio varejista vai observar com cuidado para poder fixar seus preços de produtos importados ou com elevada participação de componentes vindos do exterior. Esses preços são determinados em função do custo de reposição, e não do que foi pago. Por enquanto, a taxa cambial está ligeiramente em alta, tanto no mercado à vista quanto no futuro.

Um segundo ponto que nos parece essencial diz respeito ao volume da demanda doméstica, num momento em que a produção nacional está limitada e será preciso importar para atender a essa demanda. O último Índice de Confiança do Consumidor divulgado ontem pela Fecomércio-SP apresentou recuo de 1,4% em outubro, mas continua elevado, com 151,9 pontos. Os últimos acordos salariais permitem pensar que no final do ano a demanda terá um forte aumento.

A dúvida fica em torno dos produtos alimentícios, que em período normal são os que pesam mais nos orçamentos familiares. O IGP-10 mostrou uma queda importante na variação dos preços dos alimentos, de 1,23% para 0,07%.Todavia, já está anunciado que o preço da carne continuará subindo, enquanto a China avisa que continuará a importar soja.

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